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Até cadáveres como munição: a peculiar saga dos cercos medievais

Castelos eram realmente duros de invadir. mas havia meios

Redação Publicado em 10/07/2020, às 08h00

Ilustração de um cerco medieval
Ilustração de um cerco medieval - Wikimedia Commons

Na Idade Média, um cerco geralmente fazia jus ao nome: a fortaleza inimiga era só cercada mesmo, de forma que não pudessem obter mantimentos de fora, até que se rendessem por fome e/ou falta de munição.

Ataques com trabucos e outras catapultas serviam para encorajar o adversário a desistir. Até mesmo cadáveres serviam de munição – a Peste Negra teria chegado à Europa por meio de um trabuco mongol, que infectou os defensores italianos com um corpo no Cerco de Caffa, em 1346.

A invasão, como ao lado, acontecia se o invasor tivesse pressa – por exemplo, por reforços inimigos chegando – ou quando tinha vantagem absoluta. A evolução das grandes bombardas (canhões fixos que lançavam projéteis de pedra), no século 15, tornou fácil destruir as paredes de um castelo.

Mas as fortificações evoluíram em resposta, com paredes curvas, em forma de estrela, às vezes protegendo cidades inteiras. Cercos continuaram a existir até o século 20 e, de certa forma, a Primeira Guerra foi um enorme “cerco” mútuo entre os dois lados entrincheirados.

Foi a ideia de guerra móvel e motorizada – a blitzkrieg –, na grande guerra seguinte, mostrando a quase inutilidade de algo como a Linha Maginot, a mais moderna fortificação já feita, que aposentou de vez o conceito. Ou quase: em guerras de baixa intensidade, cercos continuam a acontecer. Infamemente em Sarajevo, nos anos 90.

Os cercos na prática 

Castelos durante um cerco não se pareciam como em tempos de paz. Estruturas provisórias de madeira, os cadafalsos, eram construídas sobre muros e torres para abrigar mais arqueiros e permitirlhes atirar de um ângulo melhor.

Para mandar soldados para dentro do castelo, escalar as paredes ou encostar escadas nelas era suicídio. Os defensores disparariam flechas, pedras, óleo e areia fervente etc.

Além disso, soldados entrando um a um também eram fáceis de combater. Torres de cerco protegidas e largas acabam com essa vantagem.

A equipe de solo, principalmente contra-arqueiros, que tentavam atingir os defensores, era protegida por abrigos portáteis, os plúteos, feitos de madeira, palha ou vime. Quando as armas de fogo começaram a ser usadas, também eram protegidas por eles.

Trabuco

Nome em bom português para o famoso trébuchet. Estrelas do cerco, atiravam projéteis contra os muros ou sobre eles, e os maiores ganhavam até nomes próprios: como o Warwolf, de 1304, o maior de todos, que, com pedras de 150 kg, destruiu o Castelo de Stirling e tinha, por alguns cálculos, 120 m de altura.