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Azul: o pigmento que já foi extraído de planta fermentada com xixi

A cor era bastante rara até o começo da Idade Média e já foi associada a barbárie; entenda

Lívia Lombardo Publicado em 17/05/2021, às 17h00

Imagem meramente ilustrativa da cor azul
Imagem meramente ilustrativa da cor azul - Divulgação/Pixabay/Mondschwinge

Claro que o azul existe desde que o mundo é mundo. Mas nem sempre conseguimos produzir artificialmente essa cor. Até o início da Idade Média, as cores que dominavam a maioria das representações artísticas eram vermelho, preto e branco.

E a explicação é simples: a facilidade com que essas tintas podiam ser fabricadas. Já o azul era difícil de ser obtido. É certo que os egípcios conheciam um pigmento dessa cor há mais de 5 mil anos, mas ele era misturado ao pigmento de uma pedra semipreciosa: o lápis-lazúli.  

A dificuldade para se chegar a esse tom, aliás, fez com que os romanos durante a Antiguidade o associassem aos bárbaros – até ter os olhos claros já foi sinônimo de barbárie.

Imagem meramente ilustrativa / Crédito: Pixabay/gracielazerpaurbina

 

No começo da Idade Média, o vermelho era a cor da nobreza, enquanto o azul era a dos servos. Os tecidos eram tingidos de azul com o pigmento extraído de uma planta chamada ísatis ou pastel-de-tintureiro. Para conseguir a tinta, era necessário deixar a planta fermentando em... xixi humano.

Com o tempo, perceberam que o álcool acelerava o processo – por isso, tintureiros ingeriam bebidas alcoólicas com a desculpa de que o xixi já sairia rico em álcool. A expressão em alemão blau werden, literalmente traduzida como “ficar azul”, significa na Alemanha “ficar bêbado”.

No século 6, a técnica para obter o pigmento chamado azul-ultramar, feita com o lápis-lazúli, ganhou a Europa – a pedra, no entanto, chegou a custar mais que ouro. A descoberta do caminho marítimo para as Índias, no fim do século 15, levou à Europa o pigmento conhecido como índigo indiano, obtido com uma planta oriental.

Uma das pintura medievais da coleção intitulada A Dama e o Unicórnio / Crédito: Divulgação/Maître de la Chasse à la Licorne

 

A utilização foi proibida – uma tentativa de preservar o tom produzido na região com ísatis – e dava até pena de morte. Já o pigmento azul-da-prússia foi descoberto acidentalmente na Alemanha, numa experiência sobre oxidação do ferro, em 1704. Custava um décimo do preço da tinta feita a partir do lápis-lazúli e fez sucesso entre os pintores da época.

De lá para cá, a indústria química evoluiu e possibilitou a obtenção de centenas de pigmentos mais baratos. Isso foi um fator crucial para o surgimento, no século 19, do impressionismo de artistas como Monet, que davam grande valor à cor. Mas, como muitos dos pigmentos desse período não possuíam uma boa permanência, vários quadros da época sofreram uma prematura descoloração.


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