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Banheiros públicos da Era Vitoriana são transformados em restaurantes e cafeterias

Antes destinados, em sua maioria, aos homens, os espaços se tornaram muito mais democráticos e abertos a todos os tipos de público

Fabio Previdelli Publicado em 03/10/2019, às 13h00

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Embora o primeiro vaso sanitário tenha sido inventado em 1596 por Sir John Harington, afilhado da rainha Elizabeth I, os sistemas modernos de esgoto e drenagem só apareceram no Reino Unido durante o período vitoriano.

No início do século 19, mudanças econômicas e sociais permitiram que a capital inglesa se expandisse e, por consequência, o fluxo de pessoas também aumentou. O que amplificou ainda mais a necessidade de sistema de esgoto.

Em 1851, George Jennings , engenheiro sanitário e encanador, mostrou ao público sua grande invenção: o banheiro público. Seus lavatórios se espalharam por Londres e logo sua ideia foi implementada em outros cidades, como Paris, Berlim e Florença.

George Jennings , engenheiro sanitário e encanador / Crédito: Reprodução


Os banheiros públicos continuaram a ser construídos durante as décadas seguintes, com sua administração, de forma opcional, feita por conselhos locais. Durante momentos de estresse orçamentário, entre os anos de 1980 e 2000, muitos desses conselhos decidiram fechar ou vender os espaços destinados aos sanitários. A ação era muito mais viável do que continuar subsidiando sua existência ou pagar por suas reformas.  

Com localizações convenientes e preços acessíveis (entre 5.000 e 20.000 libras), muitos desses espaços foram adquiridos e ganharam uma nova vida, dando lugar a bares, restaurantes e cafeterias.

Ao sul da Tower Bridge, em Londres, fica o Bermondsey Arts Club. O clássico piso preto e branco revela a arquitetura original do local — que era usado como mictório — e a pouca iluminação do ambiente reduz o brilho das paredes revestidas de azulejos.

Os mictórios originais da Royal Doulton foram transformados em carrinhos / Crédito: Reprodução


Já no Attendant, no bairro de Fitzrovia, na Oxford Street, as cisternas ainda fixadas na parede indicam a antiga glória do café. Os mictórios originais da Royal Doulton foram transformados em carrinhos aconchegantes nos quais os clientes tomam café e outras bebidas.

O WC, Wine and Charcuterie (vinhos e charcutaria em tradução livre), usa o espaço que era destinado aos armários da estação de metrô em Clapham. As bancas dos banheiros foram reaproveitadas como mesas privativas e os azulejos coloridos que modelam as paredes, contribuem para uma sensação mais boêmia e lúcida.

Visão do WC, Wine and Charcuterie / Crédito: Reprodução


Antes, os banheiros públicos eram destinados, em sua maioria, aos homens. Porém, com a reinvenção de valores, os espaços se tornaram muito mais democráticos e abertos a todos os tipos de público.

Pelo menos, é isso que garante Paul Kohler, um dos proprietários da CellarDoor, que diz que seu estabelecimento recebe desde funcionários de escritórios e estudantes locais, até pessoas que frequentam shows noturnos em plena segunda-feira. “É uma instituição e tanto agora. Sou o Gatsby, adoro uma boa festa”.  Se bem que, nem mesmo o Gatsby se divertiria tanto em um banheiro.