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Barro e solos vulcânicos: a curiosa vida antes da existência do cimento

Tudo era usado nas construções do passado. Saiba mais!

Maria Carolina Cristianini Publicado em 07/02/2021, às 08h00

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Imagem ilustrativa - Imagem de Michael Krause por Pixabay

Cícero tinha uma casa de palha. Heitor, de madeira. Só Prático usou tijolo e cimento em sua construção. E ela foi a única que resistiu ao Lobo Mau. O cimento fez toda a diferença em Os Três Porquinhos – por causa dele, a vida dos bichos foi salva.

Esse pó que conhecemos hoje, formado por substâncias calcárias e argilosas e feito em forno a 1500 graus Celsius, no entanto, é uma invenção recente – só surgiu no século 19.

Mas ligas usadas para grudar outros materiais são bem mais antigas. Quando o homem começou a construir, entre os períodos Paleolítico e Neolítico, há 15 mil anos, usava apenas pedras encaixadas, numa espécie de mosaico, madeira ou adobe (um tijolo de barro seco ao sol).

Cerca de 5 mil anos depois, porém, o crescente sedentarismo exigia edificações melhores. Foi quando se descobriu um pó ligante, feito do aquecimento de pedras de calcário e gesso.

A Antiguidade trouxe mais alternativas, como o betume (um tipo de asfalto), que, segundo o historiador grego Heródoto (484-425 a.C.), foi aplicado nos jardins da Babilônia.

Os romanos, mais tarde, descobriram a pozzolana, encontrada na região de Pozzuoli e usada, por exemplo, no Coliseu. “Típica dos arredores de vulcões, eram cinzas que, misturadas à cal, ficavam parecidas com cimento”, conta o engenheiro Sérgio Nappi.

Sim, já havia cal naquela época, obtida com o aquecimento do calcário. Os romanos não pararam por aí. No século 2 descobriram o opus caementicum, argamassa à base de mármore, tijolo e rochas vulcânicas, e construíram o Panteão.

As pesquisas, porém, ressurgiram só no século 18, com a reconstrução do Farol de Eddystone, na Inglaterra. Na ocasião, John Smeaton descobriu uma massa resistente aquecendo a até 800 graus Celsius calcários moles e argilosos.

Mas só em 1824 o inglês Joseph Aspdin aumentou ainda mais a temperatura e, ao juntar calcário e argila em pó, obteve uma nova mistura que, depois de adicionada à água e deixada para secar, ficava dura como pedra.

Era o cimento portland que conhecemos hoje – batizado assim pela semelhança com as pedras da Ilha de Portland, na Inglaterra.