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A história — nada romântica — por trás do beijo no fim da Segunda Guerra

Reproduzida como símbolo de amor e esperança, a verdadeira narrativa da cena é, no mínimo, decepcionante

Redação Publicado em 03/09/2019, às 08h00

O beijo colorizado
O beijo colorizado - Reprodução

Era 14 de agosto nos Estados Unidos quando multidões foram às ruas – bem mais efusivamente do que em maio, no caso dos Estados Unidos, assim como na China, Coreia e Austrália, inimigos mais afetados pelo Japão. Nesse dia, a célebre foto reproduzida acima foi tirada pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt na Times Square, em Nova York.

É certo que isso vai estragar muito de seu encanto, mas a história real da fotografia não é exatamente romântica.

O fervor na Times Square

Indo imediatamente para as ruas, Alfred Eisenstaedt começou a fotografar a felicidade das pessoas com o fim da guerra. Foi então que ele avistou o marinheiro George Mendonça, que comemorava com Rita, sua namorada e futura esposa. Acontece que George estava completamente bêbado, agarrando e beijando todas as mulheres que via: não importava se eram avós, robustas, magras ou desconhecidas.

"Nenhuma das fotos possíveis me agradou. Então, de repente, vi algo branco sendo agarrado. Eu me virei e cliquei no momento em que o marinheiro beijou a enfermeira", afirmou Eisenstaedt, fotógrafo responsável pela fotografia, em entrevista posterior.

Crédito: Reprodução

 

Portanto, ao invés de retratar um casal apaixonado, a cena reproduz um dos muitos beijos roubados que homens deram em enfermeiras naquele dia. O fotógrafo registrou o momento exato em que George pulou sobre a enfermeira Greta Friedman para beijá-la.

“De repente, eu fui agarrada pelo marinheiro. Não era exatamente um beijo”, afirmou Greta em 2005, numa entrevista para o Veterans History Project. “Senti que ele era muito forte, e estava me segurando firme. Não tenho certeza sobre o beijo... era só alguém celebrando. Não era um evento romântico.”

Em uma das quatro fotos tiradas por Eisenstaedt, é possível ver Rita Mendonça sorrindo ao fundo. Despreocupada, ela parecia não se importar muito com a loucura do namorado, se atentando mais em celebrar o fim da Guerra.

Segundo a filha dos Mendonsa, Sharon Molleur, o marinheiro morreu no dia 17 de fevereiro de 2019, após uma queda em uma casa de repouso em Rhode Island, EUA. Ele tinha 95 anos. Já Greta faleceu em 2016, aos 92 anos de idade.