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Benjamin Guggenheim, a vítima do Titanic que não acreditou no naufrágio

Enquanto grande parte da tripulação era surpreendida com o impacto entre o navio e o iceberg, o empresário e seu criado dormiam na primeira classe

Pamela Malva Publicado em 19/04/2020, às 10h00

O empresário norte-americano Benjamin Guggenheim
O empresário norte-americano Benjamin Guggenheim - Wikimedia Commons

Em 14 de abril de 1912, cerca de 1,5 mil pessoas morreram em um dos acidentes marítimos mais icônicos da história. Seja através do filme ou da história em si, o naufrágio do RMS Titanic ficou marcado na memória dos sobreviventes.

Entre as muitas vidas perdidas na tragédia, também afundaram os amores, as comemorações, as tristezas e as histórias de cada vítima. Ao mesmo tempo em que mulheres e crianças flutuavam em botes, últimos suspiros eram dados no navio.

Uma das narrativas mais surpreendentes do acidente — que foi retratada no filme de 1997 — é a de Benjamin "Ben" Guggenheim. Conhecido por sua carreira como empresário norte-americano, foi um dos muitos que morreram ainda à bordo do Titanic.

Homenageado no longa, Benjamin chamou atenção não apenas por suas atitudes frente ao naufrágio. Desde o começo, logo que o navio bateu no iceberg, o magnata sequer acreditou que o barco afundaria.

O embarque

Benjamin sempre foi um homem de grandes propriedades. Nascido em 1865, ele era o quinto dos sete filhos do magnata da mineração Meyer Guggenheim. Apesar da grande quantidade de irmãos, ele herdou grande parte do dinheiro de sua mãe.

O Titanic ainda atracado / Crétido: Divulgação

Crescido em uma família judaica, Ben se casou com Florette Seligman, em 1894. Com a esposa, teve três belas filhas: Benita, Marguerite e Barbara. A família feliz, entretanto, começou a sofrer com o trabalho do pai, até que todos estavam distantes demais.

Quando a viagem inaugural do Titanic foi anunciada, Benjamin correu comprar duas passagens. Uma para ele e outra para a sua amante, a francesa Léontine Aubart. O magnata ainda levou três funcionários: seu criado, Victor Giglio; o motorista, René Pernot; e a criada de Léontine, Emma Sägesser.

O começo da tragédia

Ocupando belas cabines na primeira classe do navio, Benjamin e Victor estavam dormindo quando o Titanic se chocou contra o Iceberg. Os dois mal sentiram o impacto e apenas acordaram quando Léontine e Emma bateram na porta.

Segundo testemunhos recolhidos mais tarde, Benjamin teria ficado irritado com a interrupção do seu sono. Ele não se importava com um iceberg qualquer e apenas queria voltar a dormir. Léontine, contudo, o convenceu a sair da cama.

Ao trocar de roupas e colocar os pés no corredor do navio, Ben e Victor receberam coletes salva-vidas das mãos de Henry Samuel Etches, um membro da tripulação. Uma vez equipados, todos foram levados até o convés do barco.

Da mesma forma como foi retratado no filme, Léontine e Emma foram colocados em um bote salva-vidas logo no começo do naufrágio, junto de outras dezenas de mulheres e crianças. Ben, Victor e René ficaram para trás.

Um dos botes do Titanic / Crédito: Divulgação

 

Barcos baixados

Logo que o bote das damas começou a ser baixado em direção ao mar, Benjamin teria conversado com Emma em alemão. "Em breve nos veremos novamente”, ele disse. “É apenas um reparo. Amanhã o Titanic continuará novamente.”

As esperanças do empresário, todavia, foram destruídas quando ele olhou envolta e percebeu o caos que se instalara no navio. Como o cavalheiro que era, Ben despediu-se de Henry Etches e voltou à cabine, acompanhado por Victor.

Mas antes, pediu que o funcionário do barco memorizasse uma mensagem. "Se algo acontecer comigo”, pediu à Henry, “diga à minha esposa em Nova York que eu fiz o meu melhor para cumprir o meu dever”.

Cena de Titanic que representa Benjamin e seu criado / Crédito: Divulgação

 

Depois disso, uma das cenas mais solenes de todo o filme aconteceu. Benjamin e seu criado vestiram suas melhores roupas de festa e voltaram a andar pelo navio. Quando questionados sobre a escolha dos trajes, Ben respondeu: "estamos preparados para cair como cavalheiros”.

Em questão de poucos minutos, o enorme Titanic foi perdido entre as águas do  Oceano Atlântico Norte. “Logo depois que os últimos barcos foram baixados e o comandante do convés ordenou que eu remasse, acenei adeus ao Sr. Guggenheim. Essa foi a última vez que o vi”, contou Henry, posteriormente.

Benjamin, Victor e René ainda estavam à bordo do navio quando ele afundou. Seus corpos, ainda que tenham sido encontrados — não existem registros concretos —, nunca foram identificados por oficiais de busca.


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