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'A bruxa Takiyasha e o esqueleto fantasma': Veja 5 curiosidades sobre a gravura de Utagawa Kuniyoshi

Junto do teatro kabuki, do sumô e das gueixas, nasceu no Japão a famosa gravura ukiyo-e, uma das especialidades do artista

Redação Publicado em 11/07/2021, às 09h00

Detalhe da obra de Utagawa Kuniyoshi
Detalhe da obra de Utagawa Kuniyoshi - Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Em 1633, o Japão decidiu que estava cansado do Ocidente. Após quase um século de contato, missionários instigavam o que o xogum, o líder máximo do país, considerava desordem social, potencialmente rebelião. As armas de fogo, pela ponta das quais o país havia sido unificado após mais de um século de guerra civil, haviam sido proibidas.

Na paz que se seguiu, começava a era de ouro dos samurais. Quase tudo o que a gente entende por cultura clássica japonesa surgiu nessa época, o Período Sakoku (palavra que significa “fechamento”). Foi quando Miyamoto Musashi escreveu o 'Livro dos Cinco Anéis' e Yamamoto Tsunetomo, 'Hagakure', descrevendo o bushido, o caminho do samurai.

Nessa mesma época floresceram o teatro kabuki, o sumô, as gueixas, a poesia e as artes em geral. Entre elas, o ukiyo-e, a gravura colorida em madeira, que retratava a alegria de viver num Japão em paz. Seus temas podiam ser históricos ou um retrato da época: atores, mulheres bonitas, caricaturas, paisagens e shunga, pornografia japonesa, que era feita sem qualquer tabu.

Utagawa Kuniyoshi, o autor desta gravura, foi um dos grandes mestres do ukiyo-e. Com a abertura do Japão ao resto do mundo, em 1866, e a vertiginosa ocidentalização, a fotografia começou a substituir a gravura e os artistas tentaram se encaixar nas tendências ocidentais.

Não sem ironia, nessa mesmíssima época, os ocidentais se inspiraram enormemente nos japoneses, com artistas como Monet, Degas e Manet abandonando a grandiloquência clássica e o realismo em favor de traços mais livres e criativos.

Confira cinco curiosidades sobre a detalhada gravura:

1. O original

O quadro se baseia numa parte do romance 'A História de Uto Yasutaka', de Santo Kyoden. Legendário farrista, o autor chegou a ser preso por outro romance, que satirizava o xogum. Além de romancista, Kyoden era um artista de ukyio-e, ilustrando seus próprios livros. O romance data de mais de quatro décadas antes do quadro.


2. A queda da casa masakado

O Palácio de Soma era a residência do samurai Taira no Masakado, o pai da princesa. Em 939, ele declarou sua independência do resto do Japão, tentando criar um segundo trono. A guerra que se seguiu não iria longe. Masakado seria cercado pelo governo na província de Shimosa, em desvantagem de dez para um. Acabou decapitado, segundo a lenda, sua cabeça saiu voando. Até hoje existe uma sepultura em Tóquio para “provar”.


3. Princesa bruxa

Após a derrota de seu pai, Takiyashahime refugiou-se com um eremita na montanha, que ensinou a ela as artes mágicas. Depois, foi morar sozinha no palácio arruinado. Na cena do quadro, diante da ameaça dos oficiais do governo, ela se defende lendo um tomo mágico, que lhe confere o poder da necromancia.


4. Mortos-vivos

Detalhe da obra de Utagawa Kuniyoshi / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

A cena não ficaria mal em nenhum filme de terror moderno. A princesa fez levantar os servos de seu pai massacrados pelas forças do governo. Os fantasmas — yukai em japonês — se juntaram num esqueleto gigante, que arrebentou a parede do palácio.


5. Lições de anatomia

O quadro foi feito durante o período de isolamento do Japão, mas esse isolamento não era absoluto. Quem tinha os contatos certos podia adquirir livros ocidentais, através de comerciantes holandeses, os únicos autorizados a fazer comércio com o Japão. O autor desta gravura estudou anatomia ocidental. Daí a precisão do esqueleto.


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