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Bruxas: Sexo com o diabo e vassouras voadoras

Durante o auge da perseguição à mulheres consideradas bruxas, inúmeras foram obrigadas a confessar absurdos

Raphael Tsavkko Publicado em 25/07/2019, às 10h00

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- Crédito: Reprodução

Não era só a negação a Cristo que movia a fúria contra as bruxas. O escândalo andava de mãos dadas com a fé em ceifar vidas inocentes. Acusações de sexo com demônios eram lugar-comum durante o auge da perseguição à mulheres consideradas bruxas, entre os séculos 14 e 17, uma época em que sexo era um tabu, como conta o historiador David M. Friedman, em Cultural History of the Penis.

Não era incomum que os juízes nos julgamentos das bruxas exigissem detalhes minuciosos das alegadas práticas sexuais. Quanto mais inventivos os atos, maior a sensação nas seções de tortura a que submetiam as acusadas e que prenunciavam o auto de fé.

Além de curandeiras, aquelas mulheres que não seguiam à risca normas sociais da época (como se portar de maneira recatada, obedecer aos pais e marido etc.) eram alvos dos inquisidores, assim como as mentalmente insanas ou perturbadas. Ou, sem fazer nada, as que tivessem o azar de serem denunciadas por inveja, ciúme ou, como no caso do prefeito, alguém forçado a dar um nome.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Também escandalosa é a origem do veículo favorito das bruxas, a vassoura. Atestado por múltiplas fontes e em múltiplas receitas, o unguento voador era um composto tradicional alucinógeno feito de plantas venenosas como a mandrágora, a beladona e a figueira-do-diabo.

Provável vestígio da era dos druidas, era usado em rituais noturnos, que envolviam vassouras de um jeito peculiar. No julgamento da nobre irlandesa Alice Kyteler, em 1324, é mencionado que “as bruxas confessaram besuntar o cabo com o unguento e cavalgá-lo até o ponto de encontro, ou ungirem-se nas axilias e em outros locais peludos”. Não ria.
Alice foi queimada viva.