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Cary Grant e Randolph Scott: a possível relação que levou Hollywood à loucura

Entre 1930 e 1940, os dois atores moraram juntos, mas nunca assumiram a provável e intrigante relação homoafetiva

Pamela Malva Publicado em 29/03/2020, às 10h00

Cary Grant e Randolph Scott cantando juntos, ao piano
Cary Grant e Randolph Scott cantando juntos, ao piano - Wikimedia Commons

Quando o assunto é a vida pessoal de algum artista, a mídia tem um tema preferido: a sexualidade. Freddie Mercury, por exemplo, sofreu isso na pele, quando, em coletivas de imprensa, jornalistas só perguntavam se ele era gay ou não.

Se, atualmente, a homossexualidade ainda é um tabu para algumas pessoas, imagine nos anos 1930, quando Cary Grant e Randolph Scott cultivavam uma amizade calorosa. Na época, os dois provavelmente fizeram com que muitos colunistas arrancassem os cabelos de curiosidade.

Por 12 anos, os dois atores viveram juntos, sem fazer qualquer pronunciamento oficial sobre sua relação. Assim, ficou mais do que óbvio para as manchetes que os dois não eram amigos coisa nenhuma: eles só poderiam ser um casal.

Durante todo tempo que ficaram juntos — independentemente do status —, eles passavam temporadas em uma casa de praia em Santa Monica e em uma mansão em Los Angeles. Seja qual fosse a residência, os dois sempre chamavam atenção.

Cary Grant e Randolph Scott jantanto juntos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Provas incontestáveis

Na década de 1930, quando Cary e Randolph estavam fazendo o maior sucesso, Hollywood não era muito diversa. Muito pelo contrário, atores e atrizes eram observados de perto por estúdios rigorosos e, de certa forma, conservadores.

Por isso, era muito difícil de acreditar que os dois artistas realmente vivessem uma relação homoafetiva. Ainda mais considerando que, naquela época, os estúdios e produtoras mandavam e desmandavam na vida pessoal de seus contratados.

Hollywood, entretanto, não imaginava que Cary e Randolph fariam tanto sucesso e chamariam tanta atenção pelo suposto relacionamento. Os rumores persistiram por anos até que fotos bastante reveladoras surgiram, em uma revista produzida por fãs.

Nas diversas imagens, os dois atores foram representados como solteiros felizes que compartilhavam uma casa juntos. Nas fotografias, os amigos apareciam rindo, malhando, nadando, cozinhando, jogando bola. Todo tipo de coisa cotidiana e doméstica que duas pessoas fazem quando estão acostumadas uma com a outra.

Randolph Scott no início dos anos 1930 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A verdade, afinal

Durante toda sua vida, Cary e Randolph nunca reconheceram seu relacionamento publicamente. Muito menos afirmaram se estavam apaixonados ou não. Ambos até se casaram diversas vezes — sempre com mulheres.

Por muito tempo, a amizade deles foi objeto de boatos e suposições. Em 1934, Cary foi obrigado a se casar. O matrimônio não deu certo e, 13 meses depois de trocar as alianças, ele já estava morando com Randolph de novo.

Para Richard Blackwell, um crítico de moda, era óbvio que os dois estavam “profundamente apaixonados”, segundo ele escreveu em suas memórias. A filha de Cary, Jennifer, por outro lado, nega qualquer probabilidade de o pai ser gay.

Em seu livro de 2011, a jovem descarta a possibilidade do relacionamento entre os dois artistas. “Papai gostava de ser chamado de gay”, conta. “Ele disse que isso fez as mulheres quererem provar que a afirmação estava errada”.

Cary Grant em 1941 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para deixar tudo ainda mais confuso, um documentário de 2016 afirmou categoricamente que Cary era gay. Contando a história de Orry-Kelly, um figurinista três vezes ganhador do Oscar, o filme narra que os dois tiveram um caso em 1920.

Segundo o longa, Cary e Orry-Kelly se mudaram para Hollywood, a fim de procurar emprego. Eventualmente, os dois se separaram, no começo da década de 1930 — pouco tempo antes de Cary conhecer Randolph, em um set de filmagens, em 1932.

Os dois atores pararam de morar juntos em meados da década de 1940. Segundo fontes próximas dos dois, todavia, eles continuaram amigos íntimos por grande parte de suas vidas. Ambos morreram em 1986, com apenas três meses de diferença. Dessa forma, a definição do relacionamento entre os artistas segue um mistério até hoje.


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