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O credo vermelho: Quando o governo Vargas mandou queimar livros subversivos

De autoria, principalmente, de Jorge Amado, os livros eram acusados de espalhar a doutrina comunista

Vinícius Buono Publicado em 09/09/2019, às 12h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Reprodução

Em 19 de novembro de 1937, uma coluna de fumaça preta subiu aos céus de Salvador, intrigando os moradores locais. Não era incêndio, apenas uma fogueira. O combustível? Livros, milhares deles. 

Apenas nove dias antes, Getúlio Vargas havia dado um golpe de Estado. Inaugurou a ditadura do Estado Novo, um regime populista com características protofascistas.

Dos 1.827 livros queimados aquele dia, quase todos eram de autoria de Jorge Amado. Comunista convicto, o escritor costumava inserir elementos considerados subversivos em suas obras, como a luta de classes, ao mesmo tempo que misturava com uma prosa leve e fluida que exaltava, principalmente, o povo baiano.

Matéria do Jornal Correio anunciando o episódio / Crédito: Reprodução

 

Já Getúlio Vargas buscava eliminar a ameaça vermelha de qualquer maneira. O famoso Plano Cohen, uma das mais famosas fake news da história do Brasil, dizia que os comunistas estavam se preparando para tomar o poder e, por isso, o sistema precisava ser recrudescido, sendo a desculpa perfeita pro golpe que gerou o Estado Novo. Foi essa, também, a justificativa dada pelo regime para a queima dos livros, alegando que eles propagandeavam o credo vermelho.

A Intentona Comunista, um levante militar organizado pelo Partido Comunista Brasileiro dois anos antes no Rio de Janeiro, também dificultou a vida de diversos pensadores e intelectuais opostos ao regime, não importando se eram ou não filiados ao partido.

Jorge Amado foi processado, chegou a ser preso mais de uma vez e exilado. Inclusive, estava preso no momento em que seus livros, principalmente o recém-lançado Capitães da Areia, viravam cinzas ao vento.