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‘Cidade Invisível’: Por que a Cuca aparece diferente na série da Netflix?

A lenda do folclore brasileiro é representada com uma caracterização diferente do que as pessoas estão acostumadas. Entenda!

Larissa Lopes, com supervisão de Alana Sousa Publicado em 16/02/2021, às 18h30 - Atualizado em 17/02/2021, às 10h26

Cena da personagem Inês, a Cuca, na série Cidade Invisível (2021)
Cena da personagem Inês, a Cuca, na série Cidade Invisível (2021) - Divulgação / Netflix

O folclore brasileiro foi ‘cutucado’ pela Netflix. A plataforma de streaming lançou, no dia 5 de fevereiro, a série original ‘Cidade Invisível’, que mistura suspense e trama policial ao trazer grandes lendas para as telinhas.

Criada por Carlos Saldanha — produtor das animações Rio e A Era do Gelo —, a série conta com sete episódios e personagens conhecidos do folclore, como Curupira, Saci, Iara, Boto cor-de-rosa e até a Cuca.

Sucesso absoluto, a produção entrou logo para o Top 10 de mais assistidos no Brasil da plataforma, e permanece até hoje, dez dias depois da estreia. Para Saldanha, a representatividade da cultura brasileira é a primeira coisa que chama a atenção. 

"Queria trazer uma série policial, dramática, adulta, mas de igual pra igual com qualquer uma dessa de fora, e com um diferencial: é Brasil. É folclore brasileiro”, contou o diretor em entrevista ao IGN Brasil. 

“Não quero consumir Vikings ou American Gods, eu quero consumir o folclore brasileiro, quero mostrar pro mundo o folclore brasileiro, que é tão ou mais rico", completou Saldanha.

Uma das particularidades da série é a versão ‘live-action’ de personagens que até então só apareciam em desenhos ou produções caricatas. Em ‘Cidade Invisível’, os seres do folclore brasileiro, até os mais amedrontadores, vivem na cidade em meio a humanos.

A Cuca, talvez a mais famosa das lendas, tem causado repercussão na Internet por causa de sua caracterização na série. Acontece que, graças ao seriado ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’ (2001), o imaginário brasileiro tem uma só versão de Cuca: a de jacaré.

A produção, exibida pela Rede Globo, é baseada nos livros de Monteiro Lobato, e mostra a Cuca como uma criatura de pele, cauda e cabeça de réptil. E, ainda, a personagem tinha cabelos loiros, habitava uma caverna e dava altas gargalhadas.

Já na versão recente de Saldanha, Raphael Draccon e Carolina Munhoz, a lenda é mostrada de outra forma. Interpretada pela atriz Alessandra Negrini, a Cuca aparece humana, de roupas longas e escuras, e com tererês no cabelo.

Alessandra Negrini é Inês, ou Cuca, em série da Netflix. Crédito: Divulgação / Netflix

 

O local onde a personagem vive na série tenta resgatar a ideia de uma caverna, mas funciona mais como um ‘santuário’, em que ela guarda seus objetos e poções. Em uma das cenas de Cidade Invisível, Cuca aparece invocando um verdadeiro panapaná — coletivo de borboletas.

Contudo, como repercutido pelo site Sobre Sagas, a nova versão parece não ter agradado a todos os espectadores. Confira alguns dos comentários nas redes sociais:

Verdadeira origem

Nem jacaré, nem mulher com tererês: a verdadeira Cuca — das histórias mais antigas — é, na verdade, uma criatura velha e desgrenhada. A lenda dizia que ela aparecia durante a noite nas casas para levar as crianças desobedientes.

Daí vem a icônica cantiga de ninar, que muitas pessoas escutaram na infância: “Nana neném, que a Cuca vem pegar”.

Capa de divulgação da série Cidade Invisível. Crédito: Divulgação / Netflix

 

O antropólogo Luís da Câmara Cascudo, que é autor de um livro sobre o folclore nacional, chegou a uma descrição do ser mitológico. “Para muitos, a ‘Coca’ ou ‘Cuca’ é apenas uma ameaça de perigo informe. A maioria, porém, identifica-a como uma velha, enrugada, de cabelos brancos, magríssima, corcunda e sempre ávida pelas crianças que não querem dormir cedo e fazem barulho”, escreveu o estudioso em obra.

“É um fantasma noturno. Conduz a criança num saco, e a leva nos braços. Some imediatamente depois de fazer a presa”, completou ele. Na Espanha, a Cuca é conhecida como ‘Coca’, e tem a aparência de um dragão de papelão que assustava as crianças.

Monteiro Lobato, adaptou as diversas histórias para uma versão mais infantil, e acabou se aproximando do dragão de origem espanhola. Em uma das passagens da obra do autor, a personagem Narizinho descreve Cuca: “De repente, uma velha, muito velha e coroca, aproximou-se de mim com um sorriso muito feio na cara”.


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