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De Alexandre, o Grande a Maria Antonieta: Personalidades históricas que eram homossexuais

Nos tempos de Alexandre, César e até a Idade Média, não existia nome para a homossexualidade - porque ninguém achava nada de mais

Simone Bitar Publicado em 28/12/2019, às 10h00

Na Macedônia de Alexandre, nem tinha porquê dar nome à homossexualidade
Na Macedônia de Alexandre, nem tinha porquê dar nome à homossexualidade - Divulgação/Twitter

A homossexualidade experimentou, ao longo da história da humanidade, diversos altos e baixos. De comportamento absolutamente natural, passou a ser pecado e até crime. Aqui, listamos algumas personalidades com registros de relações homossexuais:

1. Alexandre, o Grande

Crédito: Wiimedia Commons

 

O conquistador Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), também foi conquistado. Seu amante era Hefastião, seu braço direito e ocupante de um importante posto no Exército. Quando ele morreu de febre, na volta de uma campanha na Índia, Alexandre caiu em desespero: ficou sem comer e beber por vários dias.

Mandou proporcionar a seu amado um funeral majestoso: os preparativos foram tantos que a cerimônia só pôde ser realizada seis meses depois da morte. Alexandre fez questão de dirigir a carruagem fúnebre, decretando luto oficial em seu reino.

2. Júlio César

Crédito: Wikimedia Commons

 

O romano Suetônio escreveu em seu As Vidas dos Doze Césares, livro do século 2, sobre os hábitos dos governantes do fim da república e do começo do Império Romano. Dos 12, só um deles, Cláudio, nunca teve relações homossexuais.

O mais famoso, Júlio César (100-44 a.C.), teve aos 19 anos um relacionamento com o rei Nicomedes. Entre todos os romanos, os mais excêntricos foram Calígula (12-41 d.C.) e Nero (37-68). O primeiro obrigava súditos a beijar seu pênis. O segundo teve dois maridos e manteve relações com a própria mãe.

3. Maria Antonieta

Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo William Naphy no livro Born to Be Gay, havia um "reconhecimento generalizado da bissexualidade" da rainha da França Maria Antonieta (1755-1793). O escritor inglês Heste Thrale-Piozzi escreveu, em 1789, que a monarca encontrava-se à cabeça de um grupo de monstros que se conhecem uns aos outros por safistas ou seja, lésbicas. 

4. Ricardo Coração de Leão

Crédito: Wikimedia Commons

 

As aventuras homossexuais do rei inglês Ricardo I (1157-1199) eram notórias na época. Um de seus casos, quando ele ainda era duque de Aquitânia, foi com outro nobre, Filipe II, rei da França. Uma crônica da época afirma: "Comiam os dois todos os dias à mesma mesa e do mesmo prato, e à noite as suas camas não os separavam. E o rei da França amava-o como à própria alma".

Outros monarcas europeus, como Henrique III da França (1551-1589) e Jaime IV da Escócia e I da Inglaterra (1566-1625), também tiveram vários amantes do mesmo sexo.

5. Oscar Wilde

Crédito: Wikimedia Commons

 

O dramaturgo inglês (1854-1900) casou-se e teve dois filhos, mas também teve vários casos com homens. A relação mais marcante foi com o lorde Alfred Douglas, com quem mantinha o hábito de procurar jovens operários para o sexo. O pai do amante, o marquês de Queensberry, acusou Wilde de ser sodomita.

O escritor processou o nobre por difamação e arruinou-se. Foram três julgamentos, e o marquês juntara provas de sodomia contra ele. Wilde foi condenado a dois anos de trabalhos forçados. Na prisão, definhou. Morreu pouco tempo após deixar a cadeia.


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