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Como estão os filhos de Che Guevara 50 anos após a sua morte?

De uma pediatra militante a um advogado que não fala com jornalistas: o que os filhos do revolucionário têm em comum é o grande apreço à memória do pai

Ingredi Brunato Publicado em 31/08/2020, às 16h00

Che Guevara com filhos do segundo casamento.
Che Guevara com filhos do segundo casamento. - Domínio Público

Ernesto Che Guevara foi um revolucionário marxista e símbolo da luta política na forma de guerrilha, que desempenhou um grande papel na Revolução Cubana. Ele é tão famoso, que concordando ou não com os ideais do revolucionário, todos já ouviram falar dele, e em algum momento já viram o desenho estilizado de seu rosto. 

O guerrilheiro viveu uma vida agitada, no entanto muito menos conhecida que seu envolvimento com a luta revolucionária, é sua vida íntima. Che Guevara casou-se duas vezes, e desses dois casamentos saíram cinco filhos, três meninas e dois meninos. 

Seu primeiro casamento, mais curto, foi em 1955, com Hilda Gadea, que era economista e também uma líder comunista. Eles passaram quatro anos juntos. Com essa primeira esposa, o revolucionário teve apenas uma filha, que recebeu o mesmo nome que a mãe: Hilda Guevara. Ela morreu em 1995, aos 39 anos. 

Já o segundo casamento do guerrilheiro foi com uma combatente cubana chamada Aleida March. Foi com ela que ele teve os outros quatro filhos que estão vivos até hoje: Aleida, Camilo, Celia e Ernesto. Todos permanecem vivendo em Cuba, onde nasceram. 

Em 2017, quando fazia exatos 50 anos da morte do revolucionário, eles estiveram presentes na comitiva reunida em ocasião do Dia do Guerrilheiro Histórico, em Havana. A data foi criada especificamente para homenagear o pai deles, lhe prestando homenagens no dia em que foi capturado pelo exército boliviano, que terminaria por tirar sua vida. 

Tempo curto

Aleida Guevara March, a filha mais velha viva do guerrilheiro, é hoje uma pediatra no Hospital Infantil William Soler, em Havana, mas também já exerceu sua profissão em outros países, como Angola, Nicarágua e Equador. E embora não se envolva em lutas armadas como fez seu pai, Aleida é uma militante pelos direitos humanos, e defende que a dívida dos países subdesenvolvidos deveria ser suspensa. 

Quando ela tinha apenas quatro anos, Che partiu para fazer parte da revolução que ocorria no Congo, e quando ela tinha sete, acabou precisando lidar com o fato do pai ter sido assassinado. 

Na última carta escrita por Che Guevara aos filhos, que foi lida já após sua morte, ele termina dando o seguinte conselho a eles: “Acima de tudo, sempre seja capaz de sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Esta é a qualidade mais bonita de um revolucionário.”

Crédito: Domínio Público 

 

Lembranças 

Em 2009, Aleida falou sobre a infância sendo filha do líder revolucionário em entrevista ao The Guardian: “Meu pai não teve a oportunidade de aproveitar nossa infância. Mas quando ele estava fora, na maioria das vezes, ele nos enviava histórias e desenhos em cartões postais.” 

Ela também conta sobre como ele usou disfarces constituídas de identidades falsas, barbas de mentiras e sotaques variados para conseguir ir visitar os filhos, ainda que nunca pudesse contar às crianças que era ele. Dizia em vez disso que era um “amigo muito bom do papai”. 

Apesar disso, a filha mais velha do guerrilheiro podia pressentir que aquele amigo de seu pai era uma pessoa especial. Ainda em entrevista ao The Guardian, Aleida contou que acabou caindo e batendo a cabeça durante um comício. Che Guevara estava disfarçado no meio da multidão, e como era médico, correu para tratá-la. Quando a então garotinha voltou para sua mãe, perguntou “Você conhece aquele homem? Ele me ama”. 

Filhos homens 

Os outros filhos do revolucionário também buscam honrar a memória do pai, embora o façam com métodos diferentes. Camilo Guevara, por exemplo, que é hoje um advogado cubano, não gosta de falar com jornalistas, como faz a irmã. Isso porque ele preferiria conversar com pessoas que estivessem envolvidas de forma mais direta com as questões cubanas. 

Já Ernesto Guevara, o caçula, criou uma agência com tours em motos Harley-Davidson, que seriam uma paixão de seu pai. Ele oferece a viagem a turistas em visita à Cuba, que têm a oportunidade de visitar pontos marcantes para a Revolução Cubana, incluindo a cidade em que fica o mausoléu construído em homenagem a Che Guevara.


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