Como fazíamos sem obstetra?

Houve um tempo em que médicos homens tinham horror a parto. E esse tempo era até pouco antes da Segunda Guerra

sexta 19 outubro, 2018
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Antes dos médicos, havia as parteiras. A definição, uma mulher que ajuda outra no parto, é tão simples que provavelmente elas existiram desde antes de o ser humano moderno ter surgido. Parteiras se baseavam em conhecimentos folclóricos e tinham suas próprias superstições - coisas como dar um chá feito com o cordão umbilical para prevenir doenças.

Mas elas tinham um status bem acima de simples curandeiras. O ser humano tem um parto notoriamente complicado, então o trabalho de parteiras era requerido para desde escravas a rainhas. Nas grandes cidades, algumas se tornavam profissionais - no Egito, Grécia e Roma antigos elas eram respeitadas, escreviam tratados sobre seu trabalho e tiravam o sustento disso.

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Num tempo em que a medicina se misturava a crenças mágicas e religiosas, os métodos das parteiras sem formação acadêmica não eram muito menos eficientes do que os dos médicos profissionais. Elas podiam chegar a ganhar tanto quanto e tinham suas próprias equipes.

Às vezes, porém, a ajuda dessas dedicadas mulheres não era suficiente. Quando surgiam complicações sérias, eram chamados os cirurgiões. Em último caso, pois era considerado ofensivo à decência tanto da paciente quanto do médico.

Essa demora significava que geralmente não havia mais o que ser feito a respeito do bebê e, frequentemente, da mãe. No século 18, os médicos ganharam uma vantagem: o fórceps, que permitia resolver partos complicados salvando o bebê. Assim, por essa época, os ricos começaram a chamar o médico da família para atender ao parto, inicialmente ao lado da parteira.

A maioria dos doutores odiava. Achavam tudo cansativo, entediante e meio ofensivo à sua honra.

Para ter uma ideia, em 1807, o presidente da Faculdade Real de Cirurgiões, em Londres, afirmou: "Nada é mais desnecessário e efeminado que um cirurgião ou médico negligenciar seus pacientes para sentar ao lado da cama de uma mulher por horas seguidas, um trabalho que qualquer mulher prudente poderia fazer".

Seria somente em 1929 que a obstetrícia começaria a ser ensinada na instituição. E, ainda assim, houve resistência, de quem achava que ginecologia e obstetrícia não eram disciplinas médicas "sérias" (leia-se: de homem).

No começo, um médico atendendo a uma gestante era simplesmente chamado de "parteiro". Com a demanda por profissionais treinados aumentando, eles passaram a se diferenciar por meio de um neologismo: "obstetra", que vem do latim obstetrix. Que queria dizer parteira.

Fabio Marton


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