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Como fazíamos sem... Sobrenome?

Primeiros documentos com nome completo datam somente a partir do século XIV

Redação Publicado em 18/04/2019, às 14h00

Mapa de sobrenomes da Itália
Mapa de sobrenomes da Itália - Divulgação

Os chineses adotaram nomes familiares por volta de 2800 a.C. para facilitar a realização de um censo. Em Roma, os cognomina surgiram para diferenciar indivíduos com o mesmo nome dentro de um mesmo clã ou família maior. Eram derivados, originalmente, de apelidos que faziam referência a alguma característica marcante. César, por exemplo, significava “cabeludo”. Esses apelidos começaram a ser transmitidos entre gerações, como sobrenomes, mas a prática caiu em desuso com a queda do Império. 

Foi só após a Idade Média que os sobrenomes voltaram a ser utilizados no Ocidente. Seu uso se tornou necessário quando a população mundial começou a aumentar, e não adiantava dizer mais só "João" ou "Pedro" para achar alguém numa cidade.

Como em Roma, eles se basearam em apelidos diversos, com origem na aparência, profissão, origem etc; esses nomes aparecem e se consolidam com certa naturalidade: ainda hoje, podemos nos referir ao "Pedro Ferreiro" para diferenciar do "Pedro Padeira", ou "José de Campinas" versus "José Paraibano". 

Por volta de 1100, a aristocracia veneziana já tinha adotado o segundo nome e o costume foi difundido por outros países europeus. O termo "sobrenome" começou a aparecer em documentos oficiais a partir de 1370. Antes, as pessoas forneciam apenas o primeiro nome e o local de nascimento para os registros. Mas até cerca de 1450, os nomes não eram fixos nem hereditários.

O costume de relacionar o sobrenome com o pai fazia com que mudassem a cada geração: o filho de Peter era Petersson, mas seu filho podia ser Johansson se o novo pai fosse Johan. Das mulheres, era esperado que adotassem a linhagem do marido. No Brasil, foi assim até 1976, quando a lei do divórcio tornou o costume opcional.

Na Rússia, por exemplo, todo sobrenome do meio remete ao nome do pai. Vladimir filho de Vladimir, como é Putin, torna-se Vladimir Vladimirovich Putin. Yuri Gagarin era filho de Aleksei, sendo assim Yuti Alekseievitch Gagarin. A esse tipo de sobrenome, se dá o nome de "sobrenome patronal.

Antes dos sobrenomes, a indicação de nomes era muito mais ligado com a aproximação entre conhecidos e o apontamento oral. Os sobrenomes não eram usados porque assim não era necessário. Em uma pequena vila onde todos se conhecem, o simples apontamento de um nome, ou se necesário, um apelido, era mais que o suficiente para que se identificasse uma pessoa.

O sobrenome aparece como uma necessidade própria das sociedades complexas que ocupam centros hiperarticulados, como cidades, grandes centros ou redes de interação. Por isso dizemos que, antes dos sobrenomes, não precisávamos de sobrenomes.