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Como surgiu a expressão primeira-dama?

Até o século 19, elas não tinham um nome específico

Rodrigo Cavalcante Publicado em 06/07/2020, às 12h58

A primeira-dama Lucy Webb Hayes em pintura oficial
A primeira-dama Lucy Webb Hayes em pintura oficial - Wikimedia Commons

A expressão “primeira-dama”, que hoje é usada para designar as esposas dos governantes, tornou-se popular apenas no governo do presidente americano Rutherford B. Hayes (1877-1881). Ela se referia à sua mulher, Lucy Webb Hayes, considerada a mais carismática primeira-dama americana no século 19.

Até a chegada de Lucy à Casa Branca, as esposas dos presidentes não costumavam ser designadas por um nome específico, já que isso era considerado típico de governos monárquicos – em que as mulheres eram identificadas como rainhas, imperatrizes, princesas etc.

Ainda hoje o termo “primeira-dama” não é mencionado sequer uma vez na Constituição americana, assim como na maioria das constituições mundiais. Segundo os historiadores, é provável que a expressão tenha se originado da prima-donna das companhias de ópera italianas, a mais importante figura feminina na hierarquia dos espetáculos.

A primeira mulher a ser chamada dessa forma foi também a primeira a ter cursado uma faculdade. Lucy Webb Hayes se interessava por política e converteu o marido à causa abolicionista.

A primeira-dama americana era considerada ainda uma grande anfitriã na Casa Branca – apesar de defender a abstenção alcoólica e fazer questão de servir limonada no lugar de vinhos ou bebidas destiladas.

Apesar de não possuírem poder oficial, algumas primeiras-damas tiveram influência direta no governo de seus maridos. Esse é o caso, por exemplo, da americana Edith Wilson, que chegou a despachar com os ministros da Casa Branca após o presidente Woodrow Wilson sofrer um derrame em 1919. 

Já Elanor Roosevelt, primeira-dama do governo Franklin Roosevelt representava seu marido em viagens e escrevia polêmicos artigos em defesa dos afro-americanos e dos pobres - isso décadas antes da popularização do movimento de direitos civis nos EUA. 

Outras, como Jacqueline Onassis, se eternizaram como símbolo de glamour, estilo e beleza, tornando-se referências na indústria da moda até hoje.