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Como surgiu o champanhe?

Clássico de fim de ano, ele já foi visto como um indesejável acidente

Letícia Yazbek Publicado em 02/03/2019, às 09h00

A bebida como a conhecemos hoje surgiu no século 19
Getty Images

O vinho já era feito na região de Champagne desde a conquista da Gália pelos romanos, em 52 a.C. Nos séculos 16 e 17, o vinho de Champagne já era apreciado pela corte francesa. Mas a bebida ainda não era efervescente – as bolhas eram consideradas uma  “corrupção” do vinho tranquilo.

Mesmo indesejadas, as bolhas voltavam a aparecer para atormentar os produtores.
Quando o inverno chegava, o processo de fermentação muitas vezes era interrompido.
Na primavera, as temperaturas voltavam a subir e a fermentação era reiniciada com o vinho já engarrafado. O dióxido de carbono resultante do processo fazia os vidros explodirem, levando as adegas ao caos – o problema surgiu no século 17, quando as garrafas de vidro passaram a ser usadas no lugar dos barris de madeira.

Quando as garrafas não explodiam, essa segunda fermentação criava as bolhas que
eram liberadas inofensivamente na abertura do recipiente. Aos poucos, os produtores decidiram apostar na bebida e vendê-la assim mesmo, como um vinho diferente, que causava um impacto ao abrir.

Uma lenda bastante repetida até hoje fala que o champanhe foi descoberto no
século 18 por Dom Pérignon, monge responsável pela produção de vinho, que, ao abrir uma das garrafas sobreviventes e experimentar o vinho borbulhante, teria dito: “Estou bebendo estrelas!”. A história foi contada por outro monge, o beneditino Dom Groussard, em 1821, e é provavelmente apócrifa.

O que se sabe de fato é que Pérignon conseguiu controlar a fermentação, adicionando no vinho as leveduras necessárias para que as bolhas surgissem. Além disso, reforçou as garrafas para evitar que elas se quebrassem.

Se Dom Pérignon não criou o champanhe, teve um papel essencial nisso. Em 1813, a empresária francesa Madame Clicquot-Ponsardin desenvolveu uma técnica, chamada remuage, para remover a levedura do líquido turvo. A bebida, clara e cristalina, fez sucesso na França – em 1845, foram vendidas 6,5 milhões de garrafas – e logo ganhou o mundo.