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O favorito das feiras livres: Como surgiu o pastel?

Uma das mais amadas comidas dos brasileiros pode ter vindo de longe

Lucas Vasconcellos Publicado em 30/05/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - BuenosAiresPhotographer, via Wikimedia Commons

Embora tenha ganhado forma, textura e os ingredientes locais (mussarela, frango e carne moída, por exemplo), o pastel foi inserido na nossa cultura por imigrantes do Extremo Oriente.

Ou essa é a hipótese mais aceita. A origem exata da receita não foi registrada, nem foi muito pesquisada, como relatou o coordenador do Centro de Pesquisas em Gastronomia Brasileira da Anhembi Morumbi, Ricardo Maranhão.

A ideia é que o pastel teria se originado do chun juan, o rolinho primavera. O prato chinês é feito com massa de farinha, recheio de vegetal e assado em uma frigideira untada. Por volta de 1890, imigrantes chineses já vendiam os rolinhos no Brasil, por vezes com os recheios adaptados ao paladar local, como a carne moída.

E simplificando a massa folhada para uma camada só. Esse pré-pastel ainda não era popular. A ascensão veio com a perseguição aos japoneses na Segunda Guerra.

Com vergonha e medo de serem escorraçados, já que o Brasil fez parte dos Aliados, os japoneses aproveitaram a ignorância ocidental em relação à diferença entre sua cultura e a dos chineses, e se camuflaram nos hábitos dos outros.

Eles, assim, assumiram a batuta do preparo e venda de pastéis. A comunidade japonesa no Brasil já então era muito maior que a chinesa.

Isso permitiu ao pastel se popularizar. Começaram a surgir pastelarias por São Paulo, e também as barraquinhas na feira, já que muitos japoneses também eram feirantes, produzindo no cinturão verde da capital paulista.

De São Paulo, chegaria ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e, enfim, ao país inteiro, com variações locais. O pastel deixou de ser uma especialidade exótica para ganhar o status de genuína criação brasileira.