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Como uma fotografia de Kim Kardashian ajudou a resolver o roubo de um sarcófago egípcio

Quando a socialite posou ao lado da relíquia, ela nem imaginava o que estava prestes a iniciar

Ingredi Brunato, sob supervisão de Victória Gearini Publicado em 20/10/2021, às 16h45

Montagem com Kim Kardashian no Met Gala de 2018 e sarcófago de Nedjemankh
Montagem com Kim Kardashian no Met Gala de 2018 e sarcófago de Nedjemankh - Getty Images / Wikimedia Commons

Em 2018, um enigma envolvendo o roubo de um sarcófago egípcio chegou a uma resolução de forma inesperada, graças à uma fotografia de Kim Kardashian no Met Gala —  baile anual de angariação de fundos para Museu Metropolitano de Arte de Nova York (MET) que sempre impressiona pelos looks das celebridades que comparecem ao evento. 

Em um encontro inusitado entre o mundo da arqueologia e do entretenimento, a imagem postada pela socialite permitiu que o artefato histórico — que fora comprado pelo MET por 4 milhões de dólares — fosse identificado como um item que foi surrupiado do Egito sete anos antes. 

Investigação 

A importante conexão foi feita por um morador do Oriente Médio que topou com a imagem viral da Kardashian na internet, e, mantendo sua identidade anônima, decidiu conceder as informações valiosas que possuía para um promotor do distrito de Manhattan, onde está localizado o museu.

Conforme relembrado por uma matéria de 2021 do New York Post, o informante reconheceu o sarcófago dourado como sendo o mesmo presente nas imagens que um grupo de saqueadores lhe tinha enviado no ano de 2013, quando a tumba havia sido contrabandeada para os Estados Unidos. 

Print mostrando matéria do New York Times que trás a fotografia / Crédito: Divulgação/ The New York Times/ Landon Norderman

 

O artefato havia ficado exposto no museu nova-iorquino com o título correto — como o caixão do sacerdote Nedjemankh — porém esse foi um dos poucos elementos verdadeiros da documentação entregue à instituição quando ela adquiriu o bem histórico. 

Essa papelada, que havia sido falsificada, dizia que a relíquia fora exportada legalmente para o território norte-americano em 1971, algo que não podia estar mais longe da verdade. 

Origens desonestas

Fotografias mostrando o sarcófago de Nedjemankh / Crédito: Wikimedia Commons / MET

 

Embora a tumba tecnicamente pertencesse ao Ministério de Antiguidades do Egito, assim como outras relíquias arqueológicas que são desenterradas no território e posteriormente estudadas por especialistas, o artefato foi desenterrado já de forma ilegal, sendo trazido à superfície em 2011 por um grupo de saqueadores, e não por arqueólogos trabalhando no governo egípcio. 

Frente a essas informações, o promotor Matthew Bogdanos não perdeu tempo e iniciou um inquérito policial para averiguar as evidências. O responsável pela denúncia anônima foi capaz de fornecer fotografias do caixão de Nedjemankh, confirmando assim suas alegações. 

Os ladrões do sarcófago o repassaram para um negociante de antiguidades, chamado Hassan Fazeli. Foi esse o homem que falsificou os documentos do item arqueológico, preenchendo que o objeto era de origens "greco-romanas" em vez de egípcias, o que permitiu que ele fosse exportado. 

A princípio, a tumba havia acabado em um museu alemão, para então ser revendida para um homem francês que, por sua vez, fez a oferta ao museu de Nova York. 

Resolução

Em 2019, o caixão de Nedjemankh voltou à sua terra natal, levando consigo os pedidos de desculpas de Daniel Weiss, que é o CEO do MET. 

Não se sabe se o homem francês que vendeu a tumba para a instituição estadunidense sabia que se tratava de um objeto roubado, porém o responsável pelo museu alemão foi considerado culpado de colaborar com o contrabando da antiguidade. Ele foi preso em 2020, segundo uma notícia do Art Newspaper. 


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