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De serra a esmagamento: conheça 10 métodos tenebrosos de punição capital

Muitas técnicas de punição antigas eram delicadamente elaboradas para estender o sofrimento do condenado ou potencializar o caráter punitivo da ação

André Nogueira Publicado em 20/03/2019, às 09h27

Ato astral
Arquivo AH

O ser humano, há muito tempo, é bastante criativo nas formas de punir os delinquentes da sociedade. Antes das prisões modernas, existiram as mais diversas formas de castigar, muitas delas penais e públicas, tornando as execuções espetáculos de praça, sem o artifício simples do isolamento do criminoso em relação à sociedade. 

Muitas técnicas de punição antigas eram delicadamente elaboradas para estender o sofrimento do condenado ou potencializar o caráter punitivo da ação, além de recorrer a diversos significados simbólicos que se relacionam com os crimes que levam a esses castigos.

Conheça 10 métodos brutais de punição do passado:

1. Garrote

Esse método foi introduzido no início do século XIX, como invenção francesa para substituir o valor degradante que tinha a forca na época. Era destinado a crimes de grande relevância, como assassinato, terrorismo e banditismo. O método consistia em um poste sobre o qual se recostava as costas, de modo que a corda ficasse presa na altura e em volta do pescoço. Por trás, o carrasco utilizava uma barra entrelaçada à corda que, quanto mais girava, mais apertado ficava o arco formado pela corda, enforcando o condenado sem a necessidade de deixá-lo pendurado e humilhado.

 

2. Roda de Catherine

Também conhecida como "roda de quebramento", pois seu objetivo final é quebrar os ossos dos membros do condenado, esse método de tortura está diretamente relacionado a Santa Catarina de Alexandria (mulher nascida no Egito que morreu condenada à roda pelo imperador Maximino Daia). Na Idade Média, essa tortura era destinada a assassinos e sádicos e fez bastante sucesso na França e na Alemanha. Na prática, a técnica consistia em amarrar os membros do condenado no perímetro da roda enquanto o carrasco, portando um bastão de ferro, batia no corpo com força. Em alguns casos, o carrasco batia no peito ou na cabeça do prisioneiro para reduzir o tempo de sofrimento e matá-lo rapidamente. Depois de morto, a roda era erguida de pé para exibir o cadáver.

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3. Escafismo

Antigo método usado na Pérsia para punir crimes graves. Também conhecido como "os barcos", o método consistia em amarrar o criminoso nu entre dois barcos encaixados entre si e lançado em um rio ou pântano (também há a versão em que se amarra a uma árvore) e, imobilizado, o condenado ingere coercitivamente quantidades absurdas de mel, além de ter todos os membros expostos cobertos pela substância. O mel ingerido em excesso gera diarréia e o aplicado nos membros atrai diversos insetos. Deixado na água parada e sob o Sol, a diarréia do condenado começa a encubar vermes e seus membros se enchem de formigas, abelhas, moscas e besouros, que começam a se alimentar de sua pele e carne, expondo-a e fazendo gangrenar. Diariamente o condenado era alimentado com mais mel, impedindo a morte súbita e estendendo o sofrimento.

 

4. Poena cullei

Método previsto pela lei romana, a "punição do saco" era destinada a homens condenados por parricídio (assassinato do pai) e consistia em três etapas: primeiro se colocava um saco na cabeça do condenado e o agredia com barras, chicotes e pontapés, até enfraquecê-lo pelas agressões. Depois, o prisioneiro era colocado dentro de um saco de couro maior junto a animais vivos e o saco era costurado por fora. Inicialmente, o saco era preenchido somente por cobras, porém, com o tempo, a tradição romana somou ao método galos, cachorros, macacos e gatos. Esse saco era colocado numa carroça em direção ao terceiro passo: o criminoso e os animais eram lançados ao mar para morrerem.

O poena cullei era colocado como opção ao condenado: ele podia escolher entre ser ensacado ou ser lançado às feras num coliseu.

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5. Emparedamento

Mais comum no continente asiático e com alguns dissidentes que ainda a utilizam, a tortura consiste em enclausurar o condenado em um pequeno espaço (normalmente uma caixa de madeira) sem (ou com pouco) contato com o sol. Existem casos de emparedamento em que se dedicam para que se torne uma prisão perpétua, alimentando o prisioneiro por pequenas entradas, fazendo da vida da pessoa insalubre. Em outros, a ideia é deixar o condenado para morrer de fome, desidratação, pânico ou asfixia. 

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6. Gibbeting

Método irlandês destinado a assassinos e criminosos hediondos, a condenação consiste basicamente em dissecar e pendurar usando correntes os corpos dos criminosos, segundo a Lei de Assassinato de 1752. Na prática, o método só foi utilizado nesse período entre as décadas de 1750 e 1770, mas se manteve juridicamente legítima como opção penal até 1834, quando é abolida pelas implicações de manter um corpo pendurado em via pública. Em muitos casos, o corpo do condenado era pendurado por correntes no local em que praticou o assassinato, demonstrando o valor simbólico e de demonstração de poder do ato, servindo de lembrete das consequências do crime.

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7.  Pendurado, capado e esquartejado

Método inglês de condenação pública por alta traição, essa tortura é sistemática e sádica. Após condenado por alta traição, o prisioneiro é amarrado a um cavalo e arrastado ao local de execução. Lá, é conduzido à forca e enforcado com o cuidado de não matá-lo imediatamente nem quebrar seu pescoço. Antes que o condenado morresse, seu corpo era esfacelado e abatido e seus genitais são arrancados e lançados a público, além do estômago aberto e o corpo humilhado. Depois, seus órgãos internos eram arrancados e, em seguida, sua cabeça era decapitada. Por fim, o restante do corpo acabava partido em quatro pedaços. Era comum que a cabeça decapitada fosse vaporizada e ressecada para que não apodrecesse e fosse exposta nos muros da cidade como troféu da justiça.

 Jan Luyken

 

8. Gunga rao

Podendo ser chamado simplesmente de "ataque" ou "execução por esmagamento de elefante", trata-se de diversos métodos de execução que envolvem o uso de animais domesticados, com ênfase no uso de elefantes adestrados, mais comuns entre os indianos que inventaram o método. Era dedicado a soldados inimigos ou civis condenados por roubo, evasão fiscal e rebelião e partia do uso dos elefantes que eram treinados para a própria execução, de maneiras diversas, pois os indianos conheciam técnicas comuns que ensinavam os elefantes a torturar. Era comum, por exemplo, conduzir os elefantes para que o criminoso morresse esmagado ou com golpes na cabeça. Também há relatos de elefantes treinados para torturar o condenado usando lâminas adaptadas para prender-se nas presas de marfim do animal.

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9. Serra

Original da Europa medieval, essa tortura era especialmente desenvolvida para prolongar a dor do condenado, designada para acusados de práticas de feitiçaria, adultério, assassinato, blasfêmia e roubo. Partindo de uma inspiração romana, que serravam na horrizontal criminosos para executá-los, e de técnicas chinesas de pendurar e torturar prisioneiros de cabeça para baixo, o objetivo da prática é estender a dor, serrando o condenado de cima para baixo, começando por entre as pernas, fazendo com que se maximize a sensibilidade e a extensão da vida do torturado. Por isso, ele era pendurado com a cabeça perto do chão, fazendo a circulação do sangue se concentrar no cérebro e prolongando a consciência do condenado. Há relatos de que antes de serrar o prisioneiro na vertical, suas mãos e seus pés seriam arrancados e as feridas cauterizadas por tochas.

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10. Ling-chi

Esse método original da China envolve basicamente a continuidade de cortes precisamente calculados para que o prisioneiro sofra de dor prolongadamente até que finalmente morra por falta de sangue, sendo o método final entre as "Cinco Punições" da tradição imperial. O método remete ao século X e foi proibido no início do século XX -- e pode ter mesclado diversas técnicas diferentes que envolviam o uso de facas mais curtas, técnicas de retirada de pedaços de carne e até o uso do ópio para estender a consciência do torturado.

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