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Conheça as origens da chipa e do pão de queijo

A origem dos clássicos do café da manhã brasileiro pode estar bem longe de Minas Gerais

Fabio Marton Publicado em 03/03/2019, às 09h00

A chipa tem os mesmos ingredientes básicos
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Os ingredientes básicos são os mesmos: tapioca, queijo, leite, ovos e algum tipo de gordura, vegetal ou animal. Com variações, a receita é universal na América do Sul. Na Bolívia, com o mesmo formato do Brasil, é chamada de cuñapé. Na Argentina, Paraguai e Uruguai, domina a já famosa chipa (ou chipá), que, além do formato de ferradura, tem uma proporção diferente dos ingredientes, dando outra textura. Na Colômbia, a chamam de pandebono, tem o mesmo formato do pão de queijo e leva, adicionalmente, farinha de milho, enquanto a chipa é chamada de pandeyuca.

Apesar de alguma especulação não comprovada que tenha surgido no período colonial em Minas, a origem do pão de queijo possivelmente está bem longe de Minas Gerais. A chipa é uma invenção das missões jesuítas, juntando tradições indígenas a europeias. A tapioca é um ingrediente nativo, e foi misturada a ovos, leite e queijo e manteiga ou óleo, introduções europeias trazidas pelos padres. Os jesuítas pregaram e criaram suas aldeias, as missões, tanto nos territórios atualmente portugueses, o Sul e Sudeste do Brasil, quanto espanhóis, no Paraguai, Uruguai e Argentina.

A chipa parece ter entrado no Brasil na década de 1860, por imigrantes paraguaios, que fugiam da guerra e procuravam abrigo por aqui, principalmente no Mato Grosso do Sul, que é o estado onde a chipa é tradicional e facilmente encontrada. O pão de queijo pode ser bem novo: os registros definitivos de sua presença só aparecem nos anos 1950.
Se a chipa é mesmo a origem do pão de queijo, ou ele foi uma criação de nossas próprias missões, nunca ficou esclarecido. Seja como for, atendendo pelo nome que seja, o pãozinho de tapioca e queijo, como o doce de leite, é algo a unir o continente.