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Conspirações e brigas: 5 fatos sobre a polêmica união entre D. João e Carlota Joaquina

A princesa filha do rei espanhol Carlos IV foi obrigada a se casar com o infante português embora houvesse uma diferença de idade absurda

Vanessa Centamori Publicado em 29/07/2020, às 11h47

D. João VI e Carlota Joaquina
D. João VI e Carlota Joaquina - Wikimedia Commons

1. Diferença de idade

Aos 10 anos, Carlota Joaquina teve a infância destruída para se casar com um rapaz maior de idade: o Infante português Dom João, de 18 anos. A obrigação veio porque a menina ossuda era primogênita do herdeiro do trono espanhol, Carlos IV, e a Espanha queria se aliançar a Portugal. 

A intenção do acordo era criar um contato diplomático entre as Coroas Ibéricas, representado pela união da garotinha com o príncipe mais velho. A cerimônia inicial, meramente representativa, ocorreu em Madrid, em 1783.

Quem fez o pedido da mão de Joaquina foi o representante enviado da Coroa Portuguesa, o Conde de Louriçal. Logo de cara ele já sentiu antipatia pela garotinha, mais tarde conhecida como "megera de Queluz".

Fato é que não era ele quem decidia as coisas, mas sim o rei: após dois anos de negociações e uma dispensa papal, em 8 de maio de 1785, o contrato de casamento foi formalizado. 

Carlota Joaquina / Crédito: Wikimedia Commons 

 

2. Brigas e distanciamento 

Carlota era ambiciosa, muito inteligente e ardilosa — e isso já desde o princípio da união com D. João. Logo no festejo de bodas, no dia 9 de junho, seu temperamento forte se manifestou. Na lua de mel, ela teria agredido o marido com uma dentada.

Ao longo do casamento, essa tendência continuou e Joaquina se recusou a aderir ao papel de esposa submissa. A união, nesse ritmo, foi desastrosa: as brigas e discussões levaram o casal a adotar um comportamento frio e distante. Se viam somente por obrigação protocolar, durante reuniões oficiais. 

Enquanto isso, aos olhadores do povo, Joaquina parecia ter uma atitude promíscua para influenciar o cônjuge a favor das ambições da coroa espanhola. Entretanto, a má fama de "megera de Queluz" pode ter sido nada mais do que uma campanha de difamação contra seu poder feminino. 

Tal hipótese aparece na obra Memórias de Carlota Joaquina, a amante do poder, do historiador argentino Marsilio Cassotti. O autor diz que a esposa de D. João estava sendo assunto negativo como estratégia de seus inimigos do governo português e inglês.

Dom João VI / Crédito: Wikimedia Commons 

 

3. Suposta Amante

A troca sexual entre Carlota Joaquina e Dom João provavelmente era bem pouco frequente, pois o sexo para o monarca tinha muita influência do clero português, que condenava as atitudes carnais. Ainda assim, os dois tiveram 9 filhos, sendo que, ao que tudo indica, alguns foram de fora do casamento.  

Um dos filhos bastardos foi fruto da relação de João com uma amante. Ele teria mantido encontros com ela quando tinha por volta de 25 anos de idade. Tratava-se da dama de companhia de sua esposa, Eugênia José de Menezes. Quando a amante ficou grávida, não se sabia se o monarca era o pai. 

Mesmo na dúvida, Eugênia foi exilada na Espanha para que desse à luz o bebê, uma menina cujo registro nunca foi encontrado. Ela então foi condenada a viver uma vida de isolamento em monastérios e mosteiros. A criança, por sua vez, foi sustentada até o fim da vida por Dom João VI. 

4. Paternidade duvidosa

No entanto, não foi apenas o soberano que traiu Carlota Joaquina. Ela também teria sido bastante infiel, gerando rumores de paternidade duvidosa. Esses escândalos aparecem no livro D. João VI, de Jorge Pedreira e Fernando Dores Costa. A obra conta que seis dos nove filhos do monarca podem não ter sido legítimos, mas sim, fruto de traições da mãe. 

"Parece que D. Pedro, D. Isabel Maria eram indubitavelmente seus. D. Ana é talvez o primeiro fruto de João dos Santos [um jardineiro]. D. Maria Francisca é filha de Luiz da Motta Feo", escreveram os autores, que dizem até que D. Miguel na verdade foi filho do Marquês de Marialva e não de D. João VI.

Retrato de Carlota Joaquina, do Museu Imperial de Petrópolis / Crédito: Wikimedia Commons 

 

5. Conspiração ardilosa

Além de ter dado o troco quando se trata de traições, Carlota Joaquina elaborou um plano para derrubar o próprio marido. O estrategema começou quando D. João se tornou príncipe regente. A regência veio em 10 de fevereiro de 1792, depois que D. Maria I, apelidada de "a Louca", entregou o comando nas mãos do príncipe.

Depois desse período, as múltiplas tentativas de conspiração de Carlota foram descobertas por D. João. Foi no ano de 1805, enquanto ele estava em Portugal. Na época ela tentou declarar o cônjuge incapaz de governar, mas não deu certo. Teve que embarcar com ele em 1807 ao Brasil, fugindo das tropas napoleônicas. 

Por causa da Revolução do Porto, em 1820, Joaquina retornou à Portugal com o marido, mas não desistiu de tirá-lo do poder. Lançou uma estratégia chamada Conspiração da Rua Formosa, com o apoio do filho Dom Miguel, na intenção de restaurar o absolutismo. 

Após o fracasso dessa última trama contra D. João, houve o evento da Abrilada, resultando na expulsão dela da corte e no exílio de Dom Miguel. O marido de Carlota — e seu grande inimigo, no fim das contas — faleceu em 1826. 

Entretanto, a ambição da viúva não foi para o túmulo. Mesmo com D. João morto, ela reivindicou o trono mais uma vez. Porém, não teve sucesso por falta de apoio. Seu óbito ocorreu sem aliados e com ela presa no Palácio de Queluz, sendo visitada pela morte em 7 de janeiro de 1830.


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