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Crème brûlée: França, Espanha e Inglaterra disputam a origem do doce

Famosa pela cobertura de açúcar, a sobremesa tomou conta da culinária clássica, mesmo que sua autoria continue um mistério

Roger Marzochi Publicado em 02/05/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa de um Crème brûlée
Imagem meramente ilustrativa de um Crème brûlée - Divulgação/Pixabay

Dos espanhóis aos ingleses, passando pelos franceses. Há pelo menos 400 anos, vários povos reivindicam a autoria deste creme feito com leite, ovos, baunilha e açúcar. Mas há poucas evidências de teoria a respeito de quem foi o verdadeiro criador da sobremesa.

Heloisa Bacellar, chef do restaurante paulistano Lá da Venda, explica que desde os tempos do Império Romano até a Idade Média há registros de receitas de pratos feitos com cremes engrossados, sejam eles doces ou salgados.

No caso dos doces, os ingleses desenvolveram o chamado custard cream, um creme cozido em método banho-maria; enquanto os espanhóis, por volta de 1324, criaram o famoso 'creme catalão', que, além dos ingredientes acima, leva farinha, é assado e polvilhado com canela ou cítricos.

Segundo Heloisa, a casquinha sobre a sobremesa foi criada como uma forma de conservar o doce, preparado com antecedência para servir nos grandes banquetes da nobreza. Já a França só entrou na disputa em 1691, quando o chef francês François Massialot experimentou o creme catalão na divisa do seu país com a Espanha e registrou o prato no livro 'Le Cuisinier Royal et Bourgeois'.

No entanto, o registro veio com uma pitada diferente: sem farinha. E essa virou a versão mais conhecida e consumida no mundo até os dias de hoje. “Ao longo da história, os franceses pegaram várias ideias das cozinhas europeias e sistematizaram de forma inteligente”, conta a chef.

Na França, batizado de brûlée, cuja tradução é “queimado”, o doce se popularizou no filme 'O Fabuloso Destino de Amélie Poulain', em 2001, no qual a protagonista descobre que romper a fina camada caramelizada estava entre os pequenos prazeres da vida.