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A curiosa história da baleia que foi apontada como espiã russa

O animal foi encontrado em 2019 por pescadores e protagonizou um episódio curioso

Ingredi Brunato Publicado em 17/11/2020, às 09h35 - Atualizado às 09h36

Fotografia da beluga onde é possível ver a espécie de "cinto" que usava
Fotografia da beluga onde é possível ver a espécie de "cinto" que usava - Divulgação

Em abril de 2019, uma baleia beluga chamou atenção de especialistas marinhos na costa da Noruega, levando-os a especularem que o animal marinho podia ter sido treinado pelos russos para realizar trabalhos de espionagem. 

A suspeita se deu ao levando em consideração alguns fatores. Primeiro, a baleia teria se aproximado de forma amigável de barcos de pescadores noruegueses, mostrando que tinha familiaridade com humanos, e, também, indicando que talvez não conseguisse caçar o próprio alimento: "Ela chegou perto dos barcos várias vezes por dois ou três dias, à procura de comida, com a boca aberta", contou o biólogo marinho Audun Rikardsen à BBC naquele ano. 

Porém, a variável que foi decisiva na formulação da hipótese foi a presença de um cinto preso firmemente do redor do animal, que continha um suporte para uma GoPro - embora não houvesse nenhuma câmera ali naquele momento. Foi um dos pescadores que removeu o objeto curioso da beluga, e descobriu que a inscrição russa dizia que o cinto havia sido produzido em São Petersburgo (que é uma cidade no país da ex-União Soviética). 

Algumas considerações

Sobre o caso, vale mencionar que a beluga - e possível espiã - interagiu com os pescadores noruegueses a cerca de 415 quilômetros  de uma base naval russa, o que também contribuiria para a suspeita. 

Ainda segundo o biólogo Rikardsen, esses animais seriam ideais para receber esse tipo de treinamento: "as belugas, como os golfinhos e as baleias assassinas, são bastante inteligentes - são animais do Ártico e bastante sociáveis, elas podem ser treinadas como um cachorro".

Todavia, ao ser confrontado com a teoria pela emissora de TV russa Govorit Moskv, o coronel Viktor Baranets retrucou que: "Se nós estivéssemos usando este animal para espionagem, você realmente acha que anexaríamos um número de celular com a mensagem 'por favor, ligue para este número'?". 

O militar russo se referia à inscrição no cinto da baleia, que denunciava de onde ela veio, o que de fato seria um grande descuido caso a beluga fosse parte de uma operação de espionagem.  

E ainda assim… 

Apesar disso, o próprio coronel admitiu que animais como baleias e golfinhos eram sim usados para propósitos militares, sendo treinados para diversas funções. Ele deu o exemplo de golfinhos na base russa da Crimeia, que seriam orientados a fazer tarefas que iam desde a “análise do leito marinho” até “prender minas aos cascos de navios estrangeiros”.   

A Rússia não seria a única ou a primeira nação a engajar-se com práticas assim, que já existiriam inclusive durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa época, por exemplo, a marinha norte-americana treinou golfinhos e leões-marinhos para localizar e remover minas depositadas no fundo do oceano. 

Atualizações 

Em maio de 2019, apenas um mês depois de sua primeira aparição, a beluga russa voltou a ser assunto de notícias ao buscar o celular que um dos passantes do cais norueguês deixou cair no mar. O homem havia se abaixado justamente para ver a baleia mais de perto, quando o dispositivo eletrônico caiu de sua jaqueta para dentro da água. 

“Presumimos que estava perdido para sempre, até que a baleia mergulhou e voltou alguns instantes depois com meu celular na boca”, contou Ina Mansika ao site The Dodo na época. O momento, que foi registrado em vídeo e postado no Youtube, surpreendeu internautas. 

Esse foi interpretado por muitos como outro sinal de que a beluga teria sido treinada, já que foi tão natural para ela buscar o equipamento que um humano derrubou. O motivo do possível treinamento, todavia, possivelmente permanecerá um mistério, uma vez que não houve nenhum pronunciamento da Rússia. 

Segundo o Washington Post, haveria planos das autoridades da Noruega para levar o animal para um santuário de belugas na Islândia, uma vez que ele realmente não parecia saber procurar o próprio alimento, e também precisaria estar com um grupo de sua espécie para sobreviver. 

Veja abaixo o vídeo da baleia trazendo de volta o celular! 


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