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Da doença de Tutancâmon aos casamentos de Cleópatra: 5 fatos sobre o incesto no Egito Antigo

Relacionamentos entre membros das famílias faraônicas se tornaram uma espécie de tradição, mantendo o poder centralizado

Isabela Barreiros Publicado em 28/06/2020, às 11h00

Elizabeth Taylor em Cleópatra (1963)
Elizabeth Taylor em Cleópatra (1963) - Getty Images

1. Tradição

O incesto era recorrente entre as famílias faraônicas, se tornando quase que uma espécie de tradição entre a nobreza egípcia. Pesquisas mais recentes apontam que os registros mais antigos de relações consanguíneas do tipo datam da 18ª Dinastia do Egito Antigo. O Império Novo contou muito com esse tipo de união, entre os séculos 14 a.C e 9 a.C.

Como os faraós e sua família eram considerados criaturas divinas, eles tinham a autoridade de quebrar as regras que se aplicavam às pessoas comuns. Assim, relações sexuais entre pais e filhos — até mesmo entre sacerdotes — se tornou muito comum, estabelecendo uma prática que perduraria ao longo dos anos.


2. Os motivos

A hipótese mais difundida para o porquê dos membros da nobreza egípcia frequentemente se relacionarem entre si é que eles tinham como intuito fortalecer o poder de seu reinado. A prática poderia, assim, perpetuar durante muito tempo o controle de grupos específicos sobre o governo.

Isso não acontecia apenas no Egito. Sabe-se hoje que muitas dinastias na Espanha e no Reino Unido, por exemplo, também tinham hábitos incestuosos. Essas uniões consanguíneas tinham um resultado esperado: a manutenção de seu comando na região, a partir da “pureza” do sangue real.


3. Tutancâmon

Máscara mortuária de Tucancâmon / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Em 2010, uma equipe de pesquisadores do Egito e da Alemanha analisaram 11 múmias da 18ª Dinastia, todas de parentes de Tutancâmon. A partir de uma análise de DNA, os cientistas descobriram que o faraó menino era fruto de um relacionamento entre a irmã de Aquenáton e o próprio Aquenáton.

A principal consequência desse incesto foi que o rei Tut provavelmente desenvolveu uma doença genética: ele sofria de deformidade equinovarus, que deixaram seus pés tortos. Segundo o professor do Imperial College London, Hutan Ashrafian, envolvido no estudo, muitos membros daquela dinastia também tiveram doenças envolvendo desequilíbrios hormonais, que poderiam gerar vidas mais curtas.


4. Os casamentos de Cleópatra

Elizabeth Taylor caracterizada como Cleópatra no filme de 1963 / Crédito: Getty Images

 

Filha de um relacionamento incestuoso entre o faraó Ptolemeu XII e sua meia-irmã, Cleópatra V Trifen, Cleópatra também conservou a conduta. Ao assumir o poder com apenas 18 anos, ela centralizou seu poder em apenas sua família, mantendo a tradição e casando-se com dois de seus próprios irmãos.

Essas uniões, no entanto, foram fracassadas. Em 51 a.C, após a morte do pai, Ptolemeu XII, ela se casou com Ptolomeu XIII, de apenas 10 anos, mas os dois ficaram juntos por poucos anos devido a uma disputa política pelo poder. Depois disso, uniu-se a Ptolomeu XIV, de 13 anos de idade. Existem relatos de que Cleópatra o assassinou por querer fazer um dos filhos que teve com Júlio César seu co-governante.


5. Reação da população

Era claro para o restante da população que a realeza mantinha relações incestuosas entre si. Não é surpresa que, depois que a prática foi completamente aderida pelos nobres, ela também tenha se mais comum entre as pessoas comuns, que considerava os governantes como deuses.

Esse hábito não tomou apenas o povo egípcio, mas também as famílias persas, principalmente nas menos abastadas. Não é possível saber ao certo se isso aconteceu devido a uma “propaganda” dos faraós egípcios. O que historiadores apontam é que ter filhos dentro da própria família significava mais mão-de-obra, além do o famoso dote não ter que ser pago ao pedir a noiva-filha em casamento.


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