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Da grande fome à perseguição: O governo de Mao Zedong em 5 momentos polêmicos

Entre as consequências do Grande Salto Adiante e da Revolução Cultural, o legado do comunista chinês permanece controverso

Redação Publicado em 18/06/2020, às 14h29

Mao Zedong em pintura oficial
Mao Zedong em pintura oficial - Getty Images

1. A China pré-Mao

A situação da China era catastrófica quando Mao Zedong assumiu o poder. Arrasada após décadas de guerras, a economia estava em pedaços. Não havia moeda unificada, a inflação havia saído do controle e as redes de comunicação estavam destruídas. Dois meses depois de criado o novo governo, Mao parte para Moscou para pedir o equivalente a 300 milhões de dólares em crédito — além de ajuda direta em infra-estrutura.

Stálin, o líder soviético, concordou com quase todos os pedidos de Mao — a não ser o desejo de conquistar apoio militar soviético para invadir a ilha de Formosa e expulsar de lá Chiang Kai-shek. Num prazo muito curto, Mao consegue reerguer a economia. Entre 1949 e 1956, os camponeses elevam sua produção de grãos em mais de 70%.


2. O plano

Foto de Mao Tsé-Tung em um campo de trigo / Crédito: Getty Images

 

Como sempre esteve ligado ao campesinato, para Mao, era lá onde as reformas deveriam acontecer. Em 1958, decidiu que era hora de transformar a China numa potência industrial capaz de superar países como a Inglaterra e a própria União Soviética. Ele criou, então um mega programa de industrialização para alcançar tal feito.

O Grande Salto Adiante tinha como intuito acelerar o crescimento no país, obrigando milhões de chineses a abandonarem suas pequenas plantações de subsistência para trabalharem sem folga em fazendas coletivas e indústrias do Estado. Os resultados, no entanto, foram quase o oposto do que se esperava.


3. Consequências

Segundo o historiador Eric Hobsbawm no livro A Era dos Extremos, o Grande Salto teve como grande consequência a Grande Fome de 1959-61, provavelmente a maior do século 20. O programa, que falava em igualdade e justiça social, causou o óbito de um número inestimável de vidas humanas — que não pereceram em virtude de uma Guerra ou de uma catástrofe natural, mas sim de uma péssima sequência equivocada de decisões governamentais.

Os números avaliados estão em por volta de 30 milhões de pessoas, que teriam morrido devido ao projeto cujas pernas do governo não alcançavam. O comunista reconheceu apenas muito tarde os erros cometidos — já eram milhares as vidas perdidas durante aquele período. O país teve até mesmo de importar grãos para tentar evitar a fome generalizada que já havia se instalado.


4. Campanha das Quatro Pragas

A Campanha Mate um Pardal tinha como discurso oficial de que ratos, moscas, mosquitos e pardais propagavam inúmeras doenças para a população. Além disso, fazendeiros também se queixavam de que os pássaros estavam comendo os grãos de suas plantações. O governo decidiu, então aumentar os rendimentos da agricultura chinesa, apoiando o extermínio dessas espécies.

No entanto, o que eles não esperavam é que a falta de pardais iria causar um enorme desequilíbrio ambiental no país. Como não havia pardais para comê-los, o número de gafanhotos e lagartas aumentou drasticamente. Essa proliferação fez com que eles destruíssem as plantações e, consequentemente, as colheitas, ocasionando a falta de alimentos para toda a população.


5. Revolução Cultural

A Revolução Cultural implantada pelo governo chinês tinha como principal intuito manter vivo o espírito revolucionário na população. Porém, na prática, não foi bem assim. Na verdade, ela se tornou uma espécie de inquisição comunista a todos os suspeitos de adotarem hábitos burgueses, o que levou milhares de pessoas à morte.

O plano foi implantado durante os anos de 1966 e 1975. Nesse período, Mao ainda convocou milhares de estudantes, os chamados Guardas Vermelhos, para destruírem os velhos costumes e hábitos da China.


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