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Da medicina a crenças bizarras: a Idade Média em 5 fatos tétricos

A era medieval foi marcada não só por invenções notórias, mas por aspectos perturbadores e a forte influência do cristianismo

Alana Sousa Publicado em 16/12/2020, às 08h00

Uma das pintura medievais da coelção intitulada A Dama e o Unicórnio
Uma das pintura medievais da coelção intitulada A Dama e o Unicórnio - Divulgação/Maître de la Chasse à la Licorne

O que um dia foi considerado erroneamente a Idade das Trevas, foi marcado por mil anos de criatividade e dinamismo que pouco discutimos. Com invenções importantes, o período marcou o fim do Império Romano, em 476, e o início de uma era de invenções como os óculos, o relógio mecânico, o papel, os botões e, até mesmo, as notas musicais.

Entretanto, a era medieval, que só terminou com a queda de Constantinopla, em 1453, também foi marcada por guerras brutais, com a inevitável falta de tecnologia e crenças, no mínimo, bizarras.

Confira abaixo cinco fatos macabros sobre a Idade Média.

1. Jantar Negro

O fato trágico envolve uma das histórias mais sombrias da Escócia — com tradição, morte e desespero. No século 15, ano de 1440, acontecia o Jantar Negro, que ficou marcado tanto na história do país como na corte do rei James II.

James II, da Escócia / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Temendo que o trono escocês estivesse sendo alvo de conspiração, sendo que o monarca anterior James I, já tinha sido assassinado, guardas do rei vigente convidaram William Douglas, de 16 anos, e seu irmão mais novo para um banquete; ambos pertenciam ao lado da oposição do reino.

Então, no meio do jantar, os funcionários colocaram uma grande cabeça de um touro preto na mesa do banquete. Era o sinal. Aquela ação marcava a morte iminente do convidado do evento, assim, os Douglas foram decapitados, mesmo contra a vontade de James. O episódio passou a ser conhecido como o Jantar Negro.


2. Medicina macabra

Não só a falta de tecnologia e estudos científicos contemplavam para as práticas bizarras da medicina medieval. A Igreja Católica, que exercia uma imensa influência em diferentes áreas da sociedade, limitava o acesso dos “médicos” ao estudo, fazendo com que as cirurgias e processos em doentes fossem os piores possíveis.

Pintura medieval / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sem anestesia, os procedimentos eram feitos por barbeiros em pacientes que enfrentavam não só a enfermidade, como a dor quase insuportável. A interferência religiosa surtia efeito também do diagnóstico, fazendo com que muitas doenças fossem consideradas sagradas ou punições divinas.

Amputações e remédios insólitos, como fezes de pombo, eram um anúncio para o terror do pós- operatório: após passar pelas raras cirurgias — que só eram feitas se a amputação não fosse possível —, o enfermo era tratado com óleo quente.


3. Infertilidade controversa

Ainda na categoria medicina, por um longo tempo, a infertilidade era relacionada apenas às mulheres na Inglaterra medieval. Assim, os problemas em gerar filhos não eram atribuídos aos homens, a não ser aqueles que não tinham o órgão sexual, ou que apresentassem algum outro problema que pudesse explicar a disfunção.

Ilustração de pessoas infectadas pela lepra / Créditos: Wikimedia Commons

 

Porém, já nos anos finais da Idade Média, no século 13, historiadores britânicos da Universidade de Exeter, encontraram textos que provaram que a crença estava se desfazendo. A “concepção é impedida tanto pela culpa do homem quanto da mulher”, dizia um tratado ginecológico europeu. Além disso, as formas para tentar curar a infertilidade também eram polêmicas, testículos de porco, vinho e nêveda fervida integravam o tratamento.


4. Convento macabro

Quase 100 esqueletos foram encontrados em 2015 em um antigo convento de Oxford, fundado em 1100 e conhecido como Littlemore Priory. Entre as ossadas uma história peculiar foi revelada pelos pesquisadores.

Amputação de braço na Idade Média / Crédito: Divulgação 

 

No meio de cadáveres das muitas freiras que moraram no local através dos séculos, estavam os restos mortais de um bebê recém-nascido e de uma mulher com o rosto virado para baixo. Os especialistas acreditam que seria de um freira considerada pecadora, e os registros podem dar base para essa narrativa.

Documentos históricos mostram que a madre superiora Katherine Wells, foi expulsa da propriedade após, supostamente, ter engravidado de um padre. Além disso, outra freira que viveu em 1517 também deu à luz ao filho de um homem casado. Alimentando os rumores de que existiam regras tão brutais quanto torturas e espancamentos para as religiosas que descumprissem os deveres divinos.


5. A envenenadora de maridos 

Mesmo que tenha agido pouco depois do fim da Idade Média, Giulia Tofana ficou conhecida como uma das mais prolíficas envenenadoras do período medieval. A mulher, que atuou entre 1633 e 1651, criou um perigoso veneno chamado Aqua Tofana, o qual vendia para outras mulheres matarem seus maridos abusivos.

Ilustração de Giulia Tofana / Crédito: Wikimedia Commons

 

Acredita-se que, com a invenção da italiana, 600 pessoas vieram a óbito. Por quase duas décadas seu trabalho permaneceu em segredo e bastante lucrativo, até que uma de suas clientes confessou ao esposo o plano de matá-lo. Assim começou uma busca frenética por Tofana.

Por um tempo outras mulheres ajudaram-na a se esconder, porém, certo momento a polícia encontrou seu esconderijo e a levou para interrogatório. Ela confessou o crime e foi condenada a morte, juntamente com seus funcionários e sua filha.


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