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Da múmia Iret-Neferet a Júlio César: 5 reconstruções faciais impressionantes

Embora extremamente antigos, muitos desses rostos poderiam ser de pessoas que vivem nos dias de hoje

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 08/08/2021, às 08h00

As reconstruções faciais da múmia egípcia Iret-Neferet e de Júlio César, respectivamente
As reconstruções faciais da múmia egípcia Iret-Neferet e de Júlio César, respectivamente - Cícero Moraes/Divulgação/Museu Nacional de Antiguidades em Leiden

Quando encontramos esqueletos de pessoas que viveram em um passado distante, é difícil imaginá-los como indivíduos de verdade, que habitaram o mesmo planeta que nós. Por isso, dar rosto a essas figuras é extremamente importante para “humanizá-las”.

Desenvolver reconstruções faciais é um processo realizado por pesquisadores ao redor do mundo a partir de crânios, imagens e qualquer outro atributo que possa ajudá-los a entender como era a personalidade que viveu, muitas vezes, há milhares de anos.

A redação da Aventuras na História separou 5 reconstruções faciais que mostram como esse procedimento é impressionante.

Confira!

1. A múmia egípcia Iret-Neferet

Iret-Neferet é uma das duas únicas múmias egípcias remanescentes no Brasil / Crédito: Édison Huttner

 

Iret-Neferet, que significa “mulher de olho bonito”, foi uma egípcia que viveu há mais de 2.500 anos. Além de ser uma múmia interessante por si só, a história da cabeça mumificada é ainda mais: ela foi reencontrada há quatro anos no Museu 25 de Julho, em Cerro Largo, Rio Grande do Sul. 

Após inúmeros estudos, que inclusive identificaram células intactas na antiga múmia, uma reconstrução facial da mulher foi feita pelo designer especializado em reconstrução facial forense Cícero Moraes.

Fora as proporções do rosto, cabelo, entre outros, o especialista ainda a vestiu a partir de conhecimentos históricos que temos sobre a vestimenta do período.


2. Ava, da Idade do Bronze

Reconstrução facial de Ava / Crédito: Divulgação/Hew Morrison

 

O aspecto mais curioso da reconstrução facial de Ava é que ela parece uma pessoa que vemos atualmente nas ruas. Mas a verdade é que a moça morreu há 3 mil anos, durante a Idade do Bronze, sendo parte da civilização Beaker, que habitou o condado de Caithness, na Escócia, no passado.

O responsável por dar face à Ava, como ficou conhecida devido ao nome do sítio arqueológico onde seu túmulo foi encontrado (Achavanich), foi Hew Morrison, artista forense da Universidade de Dundee. O trabalho foi divulgado em 2016 e revelou detalhes da então misteriosa mulher ao mundo.


3. “Senhora de El Paraíso”

Reconstrução da Senhora de El Paraíso / Crédito: Divulgação/Museu Mineral Andrés Del Castillo

 

Perto do templo principal de El Paraíso, no Peru, pesquisadores encontraram um túmulo que guardava um esqueleto e uma série de objetos valiosos. Com esses fatores, a principal teoria é de que a mulher enterrada no local, há cerca de 3.700 anos, foi membro da alta sociedade da época em que viveu.

Ela ficou conhecida como “Senhora de El Paraíso” e tem características que ainda são vistas na população peruana dos dias de hoje. Foi possível perceber isso por meio de uma reconstrução facial realizada pelo Museu Mineral Andrés Del Castillo, em Lima, divulgada no final do ano passado.


4. Júlio César

Um dos bustos usados como inspiração para reconstruir o rosto de Júlio César / Crédito: Divulgação/Museu Nacional de Antiguidades em Leiden

 

Um dos maiores líderes romanos, Júlio César geralmente era representado como um líder bonito e poderoso, com olhos negros e um tufo de cabelos. A verdade, porém, é que isso provavelmente aconteceu devido à importância da figura política, não por verossimilhança com sua face.

Arqueólogos holandeses do Museu Nacional de Antiguidades em Leiden divulgaram, em 2018, a reconstrução facial em 3D de César que o mostrava como um homem grisalho, marcado por calvície. Além disso, o mais surpreendente foi o formato da cabeça, que era bastante protuberante e nada bela.


5. Múmia da tumba KV 55

A reconstrução facial da múmia / Crédito: Centro de Pesquisa da FAPAB

 

O debate que cerca a múmia encontrada na tumba KV 55 no Vale dos Reis, no Egito, a poucos metros de distância de onde o faraó Tutancâmon foi enterrado, ainda está sendo travado. Embora alguns afirmem que o indivíduo seja o Faraó Aquenáton, considerado o pai biológico de Tutancâmon, outros duvidam muito dessa hipótese.

Pensando na polêmica do corpo mumificado e em sua possível semelhança com o Faraó Menino, pesquisadores do Centro de Pesquisa da FAPAB, na Itália, desenvolveram uma reconstrução facial que apresentou o rosto do homem pela primeira vez.

A misteriosa múmia ainda não teve sua identidade comprovada, mas sua face, ao menos, é conhecida.


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