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Das agressões aos segredos de seu cadáver: 5 fatos sobre a imperatriz Leopoldina

Uma das figuras históricas mais importantes do Brasil teve a vida sofrida em seu casamento e grande influência para a independência brasileira

Penélope Coelho Publicado em 27/04/2020, às 13h39

Retrato de Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo
Retrato de Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo - Wikimedia Commons

A menina nascida na cidade de Viena, capital da Austria, era membro de uma das mais tradicionais famílias da Europa: os Habsburgo-Lorena. Criada através dos costumes da monarquia, ela não tinha ideia que iria influenciar a história do maior país da América Latina.

Arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburg foi a primeira esposa de Dom Pedro I e Imperatriz do Brasil de 1822, até sua morte precoce em 1826.

Leopoldina foi uma figura marcante para o Brasil, algumas de suas intervenções durante o período em que foi imperatriz mudaram a história do país para sempre.

Pensando nisso, separamos alguns fatos sobre Maria Leopoldina. Confira!

1. Casamento arranjado com Dom Pedro I

Durante o congresso de Viena, conferência entre embaixadores de grandes potências para reordenar o mapa político após a derrota de Napoleão, a garota de 17 anos só tinha um desejo: casar-se.

Uma união entre a Áustria e Portugal seria de bastante vantagem para os dois países, por isso seu casamento com Dom Pedro I começou a ser planejado. O primeiro contato que Leopoldina teve com seu futuro marido foi através de um retrato. “Pedro” escreveu a menina já apaixonada, em seu diário, em 1816.

Dom Pedro I e Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

As negociações do casamento arranjado começaram em 1816, porém, eles só se conheceram pessoalmente um ano depois, em 5 de novembro de 1817, quando a jovem finalmente chegou ao Brasil após cinco meses de viagem pelo Oceano Atlântico.

2. Imperatriz e cientista

A verdadeira paixão da monarca era a botânica e a mineralogia. Devido o grande interesse, Leopoldina trouxe para o Brasil um diplomata austríaco e um grupo de cientistas para estudarem a botânica do Rio de Janeiro.

Maria sempre deixou claro sua admiração pela beleza natural da cidade, por isso, a pedido dela, os pesquisadores vieram até o país para estudarem os recursos naturais locais.

Graças à Leopoldina, a longa missão dos cientistas resultou na publicação de livros sobre a flora brasileira. As obras classificavam e ilustravam milhares de espécies de plantas ao redor do Brasil.

3. Visão estratégica

Como imperatriz, o papel de Maria Leopoldina era respeitar cegamente às decisões da família e a colocar os interesses do Estado e da monarquia sempre à frente dos seus. Mas, a mulher foi além e foi crucial para a independência do Brasil.

Os historiadores relatam que a monarca teve uma ótima leitura da situação do Brasil, quando percebeu que o clima político poderia conduzir o país para se transformar numa república.

Chegada de Leopoldina ao Brasil / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aconselhando seu marido, Leopoldina teve sucesso quando Dom Pedro I decidiu declarar a independência. Foi ela quem convocou uma reunião emergencial para definir quais ações seriam tomadas pela monarquia, além disso, foi Leopoldina quem decidiu que o verde e amarelo seriam as cores da bandeira brasileira, após o fatídico dia 7 de setembro de 1822.

4. Traições e Agressões

A união entre Leopoldina e Dom Pedro I era extremamente conturbada e até mesmo violenta. O casamento foi marcado por diversas traições. Leopoldina aparentava ser muito apaixonada por seu marido, já Pedro, não tinha muito interesse em ser fiel.

O homem não era muito discreto em relação aos seus casos extraconjugais e não demorou muito para que a imperatriz descobrisse as diversas infidelidades. O caso mais famoso de Dom Pedro I foi com Domitila de Castro, moça que mais tarde, se tornaria a Marquesa de Santos.

O monarca obrigava Leopoldina a conviver com Domitila e a filha bastarda, com isso, a imperatriz se sentia humilhada pelo marido. O homem a destratava em público e além de cometer agressões verbais, também agrediu fisicamente sua esposa, até na frente de seus filhos.

Maria da Glória, uma das filhas de Leopoldina, chegou a testemunhar um dos acessos de raiva do pai. Segund Isabel Stilwell, autora da biografia sobre a menina, em entrevista à ISTOÉ, certa vez, quando Maria tinha 7 anos, escutou uma verdadeira sessão de espancamento, enquanto o pai dava pontapés e empurrões em sua mãe, que estava esperando seu oitavo filho.

Maria da Glória entrou no quarto depois de ouvir os gritos da mãe e encontrou Domitila implorando para que D. Pedro I acabasse com as agressões em sua esposa.

5. Cadáver de Leopoldina

Os últimos anos de vida de Leopoldina foram tristes e marcados por uma depressão causada pelas humilhações que ela sofria por parte do imperador. Maria Leopoldina faleceu em 1826, no Rio de Janeiro, após um aborto, nove anos depois de sua chegada ao Brasil.

Uma exumação feita no corpo da imperatriz anos depois, pesquisadores encontraram curiosidades insólitas sobre a morte da mulher. A análise feita em seu cadáver com auxílio de um aparelho de tomografia revelou que Leopoldina foi enterrada com uma roupa bordada em fios de ouro e prata — a mesma com a qual foi coroada imperatriz em 1822.

A surpresa se deu quando o estudo analisou seu fêmur que não demonstrava sinais de fratura, contradizendo a versão de que a imperatriz teria sido jogada de uma escada por seu marido, sofrendo o aborto que a matou.


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