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Das amantes a melancolia: 10 fatos sobre a vida íntima de Dom Pedro II

Primeiro príncipe nascido no Brasil, o imperador carregou episódios curiosos em sua trajetória

Nicoli Raveli Publicado em 20/03/2020, às 08h00

O imperador Dom Pedro II
O imperador Dom Pedro II - Getty Images

Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Dom Pedro II, o último imperador do Brasil. Os livros didáticos apresentam uma ideia sobre seu governo, mas revelam poucos detalhes da vida do primeiro príncipe a nascer em terras brasileiras. 

A fim de aprofundar o assunto, o historiador Paulo Rezzutti reuniu, em sua última obra, fatos sobre um perfil do imperador no livro Dom Pedro II: a história não contada (2018).

Confira abaixo dez fatos pouco conhecidos sobre sua vida.

1. Um jovem apaixonado por sorvete

Aos oito anos, Dom Pedro II experimentou uma iguaria que tinha chegado recentemente ao Brasil, o sorvete. A sobremesa não foi recebida de braços abertos pelo público. Pedro, entretanto, adorou.

Os relatos reais, que foram expostos no livro, afirmam que o gosto pelo alimento foi tanto, que o menino contraiu laringite.

2. Cara da mãe, jeito do pai

O pequeno sempre era comparado fisicamente a sua mãe, Dona Leopoldina. Porém, Pedro recebeu maior influência do pai. Seu interesse pelas artes e ciência foram gostos à parte, mas a conexão com D. Pedro I era inigualável.

Mesmo com o exílio do pai, os dois trocavam cartas que ensinavam o pequeno a seguir a Constituição. “A relação entre eles era muito forte, tanto que pai e filho trocaram muitas cartas. Em todas, Dom Pedro I dá recomendações ao filho, mas também ao futuro imperador”, escreveu Paulo.

3. A arte de grafitar

Caracterizado pelo autor como um amante de viagens, o monarca fazia questão de deixar sua marca nos lugares que visitava. Em sua viagem ao Egito, Dom Pedro II escreveu seu nome em lugares inusitados, como na Pirâmide de Quéops. Além disso, ele fez um registro em um sarcófago e em uma ruína. 

Em outra viagem realizada em 1876, o governante deixou sua marca em uma rocha na cidade de Imatra, na Finlândia. 

Registro da pedra grafitada por Dom Pedro II / Crédito:  Tuomas Vitikainen

 

4. Votar com sabedoria

Assim como é descrito em seu diário, ele não era contra o movimento republicano, e ainda se achava capaz de trabalhar para a evolução natural da república, que era um estágio superior ao império.

Porém, ainda de acordo com Dom Pedro II, os brasileiros ainda precisariam passar por uma boa educação de base para terem a permissão e serem capazes de votar com sabedoria.

5. Comprometimento com a educação

O imperador sempre se comprometeu com o desenvolvimento do país e seu foco era na educação. Segundo o autor do livro, Dom Pedro II passou 45 anos de governo tentando transformar o Brasil num país melhor, sempre priorizando a cultura e a educação.

"Ele costumava inclusive dizer que, se não fosse imperador, seria professor, pois, em suas palavras, não via missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro".

6. Inúmeras amantes

Mesmo demonstrando ser um bom moço, em oposição ao perfil de seu pai, ele teve diversas amantes. O caso mais conhecido e registrado em seu diário é com a condessa de Barral. Entretanto, o governante viveu outros romances com a condessa de Villeneuve e com a condessa de La Tour.

Diversas cartas do imperador revelam seu passado pouco conhecido, quando ele se dizia apaixonado por cada uma das mulheres que se relacionava. Em 1884, Dom Pedro II escreveu uma carta à condessa de La Tour, dizendo que a amava com paixão. Um mês depois, escreveu outra carta, dessa vez para a condessa de Villeneuve. “Quantas loucuras fizemos sobre a cama grande com os dois travesseiros. Amo-te cada vez mais, e não posso expressar suficientemente o que sinto por ti”, declarou o monarca. 

7. Confissões sobre a vida de imperador

Dom Pedro II nem sempre apreciou estar no poder. De acordo com a obra do historiador Paulo Rezzuti, além das cartas de amor que escrevia as amantes, ele também confessava seus sentimentos sobre o império.

Ainda segundo o escritor, há situações onde o imperador confessou às mulheres de que estava exausto das cobranças de ser um imperador.

Ilustração de Dom Pedro II / Crédito: Getty Images

 

8. A crônica sobre a Proclamação da República

O cronista, e também seu genro, o conde D’Eu, marido da princesa Isabel, narrou a manhã do dia 16 de novembro. Ele relatou os detalhes do dia seguinte a Proclamação da República, no qual disse que os empregados do palácio tinham lágrimas nos olhos.

Além disso, houve o registro da reação de Dom Pedro II. Ele afirmou que estava pronto para deixar o Brasil na mesma noite. Foi quando a imperatriz, exausta, jogou-se em uma poltrona, preocupando ainda mais seus funcionários.

9. O pânico de Pedro Augusto, seu neto

Embora o imperador tenha lidado com a notícia de forma serena e com tristeza, os outros membros da família ficaram muito abalados.  A caminho de Portugal,  o neto do monarca, o príncipe Pedro Augusto, encontrava-se em pânico e não conseguia comer e dormir.

De acordo com os relatos de um amigo da família, o barão de Muritiba, Pedro sentia-se perseguido e tentou enforcar o comandante.  Após diversos anos, o príncipe afirmou que os dizeres eram mentirosos, porém, em 1934, ele morreu enquanto estava internado em um hospital psiquiátrico.

10. Por trás de uma postura firme, tristeza

Quando aconteceu a Proclamação da República, a família real estava em Petrópolis. Com a notícia, eles embarcaram a caminho do Rio de Janeiro,e Dom Pedro II estava acompanhado dos filhos e da esposa, e seriam transportados até a casa real.

Quadro ilustra o momento em que a República foi proclamada / Crédito: Wikimedia Commons

 

João Duarte da Silveira, que presenciou a cena, afirmou que era claro o nervosismo da imperatriz Teresa Cristina, assim como a aparência triste do monarca. “Apesar da firmeza com que o imperador se exprimia, lia-se na sua fisionomia um grande abatimento. Não era o mesmo homem que, dias passados, tinha se dirigido à minha pessoa”.


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