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Das câmaras ocultas a construção misteriosa: os enigmas da Grande Pirâmide

Arqueóloga defende a tese de que as descomunais construções serviam de propaganda para disfarçar a fragilidade dos faraós

Maria Dolores Duarte Publicado em 03/07/2020, às 08h00

A Grande Pirâmide
A Grande Pirâmide - Wikimedia Commons

A Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, é a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo – e a única ainda existente. Erguida em 2550 a.C., foi trabalho para muita gente. Estima-se que 100 mil homens tenham participado de construção, que levou 20 anos. 

Três construções formam o complexo conhecido como Pirâmides de Gizé. Mas só a maior, a Grande Pirâmide, é considerada uma das maravilhas. Ela foi construída pelo faraó Quéops (seu nome egípcio era Khufu; Quéops é o nome grego, mais famoso) para ser sua tumba, no platô de Gizé, perto do Cairo.

As pirâmides completas / Crédito: Pixabay

 

Suas dimensões são monumentais: 137 metros de altura – originalmente eram 147 – e 227 metros em cada lado da base. Ela foi a construção mais alta do mundo até a Torre Eiffel, em Paris, ser inaugurada, em 1889.

“As pirâmides eram obras nacionais que reuniam todo o Egito, o que ajudava na unificação política”, diz o egiptólogo Antônio Brancaglion, do Museu Nacional do Rio de Janeiro. “Existia, inclusive, uma espécie de fundação que geria os recursos destinados aos salários e materiais necessários para sua construção e manutenção.”

Feita para brilhar

Quéops mandou revestir toda a parte externa de sua futura tumba com pedra calcária polida. A pirâmide, literalmente, brilhava com a luz do Sol e podia ser vista a quilômetros de distância. O revestimento foi saqueado há mais de 600 anos. Hoje existem apenas resíduos desse brilho no topo da antiga maravilha.

Durante os 20 anos de construção, Quéops teria mudado duas vezes de ideia quanto à localização do seu sarcófago. Por fim, optou por uma sala no centro da pirâmide, chamada de Câmara do Rei. Quéops teria sido enterrado lá. Mas, quando o local foi explorado, em 820, o sarcófago já estava aberto e vazio.

Entre as medidas tomadas para que o sarcófago do faraó não fosse saqueado, os idealizadores da pirâmide colocaram pedregulhos para bloquear as entradas, portas pesadas de granito, corredores e câmaras vazias para despistar invasores.

Exploração complicada

Além da Câmara do Rei, outras duas são conhecidas: a da Rainha (que, apesar do nome, não abriga a múmia da mulher de Quéops, que foi enterrada fora da Grande Pirâmide) e a Secreta. Para descobrir se existem outras salas, os cientistas teriam de usar explosivos, que podem danificar a estrutura da obra.

Existem algumas teorias que explicam o processo de construção da Grande Pirâmide. A mais aceita é a de que os blocos eram arrastados sobre troncos de madeira por uma rampa. E a mais recente diz que os primeiros 43 metros foram construídos com rampa externa; e os demais, com rampas internas em espiral.

Duas hipóteses explicam a origem dos 3 milhões de blocos de pedra da pirâmide (cada um tem 2,5 toneladas). Uma é que foram levadas de territórios próximos, de barco pelo Rio Nilo, e içadas por cordas. A outra é que eram sintéticas, feitas de concreto à base de calcário, e vazadas em moldes no canteiro de obras.