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Das cartas à prisão: 5 fatos sobre o visceral relacionamento de Oscar Wilde e Alfred Douglas

No mês de Orgulho LGBT, conheça mais sobre o romance vivido pelos autores que incomodou a sociedade britânica do século 19

Isabela Barreiros Publicado em 22/06/2020, às 18h05

Os amantes Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas
Os amantes Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas - Domínio Público

Em junho, comemora-se o mês do Orgulho LGBT, em homenagem a um grande marco na luta na rua pelos direitos dessa população: as Rebeliões de Stonewall, que aconteceram em 28 de junho de 1969. Nos dias de hoje, em todos os anos, acontecem inúmeras Paradas do Orgulho LGBTQI+ durante esse período.

Muitas das figuras históricas mais importantes e lembradas da história foram e são LGBTs. A homossexualidade, bissexualidade e transexualidade experimentam diferentes tratamentos ao longo da história, com diversos altos e baixos. De comportamento absolutamente natural, passou a ser pecado e até crime.

A importância de relembrar esses casos se faz cada vez mais essencial ao longo dos anos, especialmente porque ainda existe muito para se lutar em prol da igualdade. Oscar Wilde, famoso escritor irlandês, sofreu isso na pele de maneira brutal: foi preso por sua sexualidade, considerada crime no Reino Unido durante o século 19. Além dele, muitas outras pessoas sofreram com o preconceito de inúmeras épocas — mas resistem até os dias de hoje.

O relacionamento mais conhecido de Wilde foi com o poeta Lord Alfred Douglas e foi simplesmente esse o seu crime. Aqui, listamos alguns fatos sobre esse icônico namoro.

1. Cartas de amor

Crédito: Domínio Público

 

Foram 55 mil palavras amorosas escritas por Oscar Wilde ao seu amante Lord Alfred Douglas enquanto estava preso em uma cela de prisão em Berkshire, Inglaterra. Eram cartas de amor viscerais que ultrapassavam a perseguição sofrida por homossexuais no Reino Unido no século 19.

Além dos escritos do cárcere, os dois trocavam cartas tristes principalmente quando brigavam e se separavam. Dessa forma, a poesia observada nas obras dos dois fazia-se presente no hábito do casal de escrever um ao outro depoimentos de amor e ternura entre dois homens.


2. Livro sobre seu amor

Wilde e Douglas se conheceram por meio e um primo do poeta, Lionel Johnson, que foi responsável pela introdução dos dois. Ele já era uma espécie de cupido para o casal, mas se tornou mais que isso ao começar a desenvolver um romance que aparentemente teve a relação como inspiração.

O livro The Green Carnation, que foi publicado anonimamente pela primeira vez em 1894 e é muito utilizado até os dias de hoje para falar sobre o relacionamento em questão, que foi narrado dramaticamente ao longo das páginas. No entanto, o texto iria causar um problema para Wilde no futuro: ele foi utilizado contra o autor durante seus julgamentos em 1895.


3. Convivência difícil

Ainda que estivessem apaixonados um pelo outro, a convivência não era fácil. Douglas era descrito como mimado, imprudente, insolente e extravagante, gastando fortunas com homens e jogos de azar. Mas pior que isso: achava que seu amante tinha a obrigação de ajudá-lo com seus custos altos e desnecessários.

Por esse motivo e muitos outros, os dois frequentemente brigavam e terminavam o relacionamento que, no entanto, voltava em pouco tempo com a reconciliação. As já mencionadas cartas eram trocadas geralmente nesse período de término, gerando quase sempre um retorno rápido no namoro.


4. Sem apoio da família

John Sholto Douglas, nono Marquês de Queensburry / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na época, a homossexualidade era considerada crime no Reino Unido. Além de terem de se esconder da lei, eles também tinham que tentar se desvencilhar do poderoso pai de Douglas, o nono marquês de Queensberry, que não apoiava o relacionamento. Mais do que não apoiar, o homem fazia de tudo para difamar o Wilde e manchar seu nome para impedir o namoro. Ele chegou até mesmo a ameaçar espancar donos de estabelecimentos em que o casal tivesse encontros.

Wilde dizia que sua “vida inteira parece arruinada por esse homem" e decidiu processa-lo. Ele conversou com um advogado e pediu um mandato, que levou à prisão do Marquês. Mas isso não acabaria bem para o escritor. Com o julgamento, foi instruído a abrir mão das queixas, que o botavam numa situação perigosa. O orgulho, porém, fez com que ele continuasse.


5. Prisão de Wilde

Durante a defesa do pai de Douglas, foi apontado que seus atos eram justificados por sua preocupação com a companhia do filho. Foi assim que o Marquês fez a denúncia pública sobre a sodomia de Wilde, alegando que o escritor teria contratado 12 meninos em dois anos para a prática criminosa. Wilde foi obrigado a retirar as acusações.

Mas isso não foi deixado de lado e ele foi condenado no dia 25 de maio de 1895 por “sodomia e indecência grosseira”. Foi, então, sentenciado a dois anos de trabalhos forçados num campo punitivo britânico essencialmente por sua sexualidade.


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