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Das joias a coleção de sapatos: 5 fatos sobre Imelda Marcos, a primeira-dama corrupta das Filipinas

Enquanto o povo passava fome, a mulher era dona de uma das maiores coleções de sapatos do mundo, tinha um armário luxuoso e era conhecida por seu glamour

Isabela Barreiros Publicado em 24/08/2020, às 18h13

Foto de Imelda Marcos quando jovem
Foto de Imelda Marcos quando jovem - Wikimedia Commons

Ao redor do mundo e ao longo da história, inúmeras figuras — políticas ou não — ficaram famosas devido aos seus crimes relacionados à corrupção. Alguns casos, no entanto, chamam mais a atenção que outros exatamente por serem extremos. As Filipinas, por exemplo, tiveram seu próprio contexto de máxima corrupção.

Entre os anos de 1965 e 1986, o ditador Ferdinando Marcos presidia o país. Não bastasse que ele roubasse quase todo o dinheiro de seu país enquanto o presidia, sua esposa, a primeira-dama Imelda Marcos, também tinha um papel marcante embolsando o dinheiro público das Filipinas.

Confira 5 fatos sobre Imelda Marcos:

1. Esposa do ditador

O casal Ferdinando e Imelda Marcos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Imelda Marcos não teria conseguido obter tamanha riqueza — e consequentemente, visibilidade — se não tivesse se casado com o ditador Ferdinando Marcos. Ela era apenas a sexta filha de um advogado desconhecido da cidade filipina de Manila e vencedora de um concurso de beleza quando conheceu Ferdinando.

O homem mudou completamente o destino de Imelda. Eles se casaram apenas 11 dias depois de assumirem o namoro, e, quando Ferdinando assumiu o poder no país, moça passou a ter um papel primordial na política. Muitos afirmam que ela se tornou tão influente no governo que o próprio presidente apenas obedecia suas imposições, sendo ela a responsável pela tomada de decisões.


2. Luxo

Já a partir do casamento dos dois é possível perceber o que vinha por aí. Na cerimônia secreta, que ocorreu em 16 de abril de 1954, ela estava usando o anel de noivado, que recebeu de Ferdinando, no valor de 300.000 libras, aproximadamente de 1.6 milhões de reais. Era somente o começo de todo o luxo que estava por vir.

Durante o governo do ditador, os dois estabeleceram uma hegemonia autoritária completamente glamorosa. No auge, a mulher tinha um guarda roupa com vestidos caros e uma das maiores coleções de sapatos de todo o mundo, com por volta de 3 mil pares. Fora as obras de arte de seu acervo, com valores inestimáveis.


3. A que custo?

Imelda Marcos e os ex-presidentes da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Pelo que se estima, o casal teria roubado bilhões de dólares enquanto estiveram à frente do governo filipino. Eles ficaram conhecidos pelo luxo material que ostentavam, além de uma ganância completamente exagerada, exposta pela corrupção praticada pelos dois com o dinheiro público do país.

Mas tudo isso foi à custa de muito sofrimento do povo que eles prometeram ajudar. Se de um lado estava a luxúria excessiva, de outro estava o total oposto: a fome. Pelo que se sabe, o governo de Ferdinando foi responsável por 3.257 assassinatos extrajudiciais conhecidos, 35 mil torturas documentadas, 77 pessoas desaparecidas e 70 mil encarceramentos.


4. Fim da ditadura do luxo

De acordo com uma lista feita pela Forbes, o governo de Ferdinando está classificado como o segundo mais corrupto do mundo durante o final do século 20. Ele ficou apenas depois de Mohamed Suharto, que comandou a Indonésia de 1967 a 1998. Não é difícil imaginar que o regime do ditador levou as Filipinas à falência.

Por mais que as condições da população fossem extremas ao longo do governo de Ferdinando e Imelda, eles permaneceram no poder por 21 anos, com toda a ostentação que quisessem. 1986 era ano de eleições, e, mesmo que o ditador afirmasse que tinha ganhado, todos sabiam que ele havia fraudado as votações. O povo, então, iniciou uma série de protestos, que ficou conhecida como People Power Revolution.

Alguns dias depois, o casal finalmente aceitou a derrota. Eles receberam passagens para que pudessem se exilar no Havaí, de maneira segura, mesmo com tudo que haviam feito. Durante esse período, Ferdinando faleceu no dia 28 de setembro de 1989, aos 72 anos. Mas ainda não era o fim para Imelda.


5. Política

Imelda Marcos em 2008 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Imelda, de fato, não havia desistido de continuar sendo relevante para a política das Filipinas. Ela voltou ao país após o então presidente, Corazón Aquino, permitir o retorno da família em 1991. Junto dela, veio o corpo embalsamado de Ferdinando. Teria o povo esquecido do sofrimento que a ex-primeira-dama o fez passar?

Com seu retorno, candidatou-se a cargos públicos, mas tudo ainda era muito recente. A socialite continuou tentando até que, em 1994, foi eleita deputada, cargo no qual ficou até 1998. Anos depois, regressou à vida política, sendo eleita deputada novamente: a mais votada do país ainda por cima.

Em relação aos crimes de corrupção cometidos tanto por Imelda quanto por seu marido, diversos processos foram abertos, principalmente pelo governo das Filipinas, mas isso nunca deu em nada. Mais recentemente, no final de 2018, ela chegou a ser condenada a mais de 401 anos de prisão por desvio de dinheiro. No entanto, atualmente aos 91 anos, não passou um dia sequer atrás das grades.