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De briga com tubarões a fome: 5 histórias reais e impressionantes de náufragos

Nem mesmo experientes navegadores estão imunes às ações da natureza, que foram muito cruéis nesses casos

Caio Tortamano Publicado em 07/08/2020, às 08h00

A saga de Steven Callahan
A saga de Steven Callahan - Divulgação

1. Richard Van Pham

Um homem de origem vietnamita de 62 anos morava sozinho em um barco em Long Beach, nos Estados Unidos. Sem pensar duas vezes, decidiu que iria até as ilhas Catalina. Todavia, uma viagem relativamente curta resultou em um pesadelo de três meses. Enquanto no Pacífico, uma tempestade repentina quebrou o rádio, o motor e o mastro de seu velho barco, estava à deriva.

Richard Van Pham e seu barco - Divulgação

 

Aprendendo a caçar aves e usando suas habilidades com pesca, conseguiu sobreviver por um bom tempo, mesmo que tenha chegando a pesar 18 quilos. 

Seu resgate ocorreu em 17 de setembro de 2002, quando já estava há três meses e meio à deriva e ao sudoeste da Costa Rica. Um avião da alfândega dos Estados Unidos localizou o barco do homem, completamente destroçado, e acionou a marinha americana — que depois de resgatar Richard, afundou o navio e pagaram sua passagem de avião até a Guatemala. De lá, conseguiu voltar para Los Angeles em busca de um novo lar.


2. Garotos do Tonga

Na pequena ilha do pacífico, seis garotos do Tonga, com idades entre 13 e 16 anos, saíram com um barco emprestado por um pescador da capital do país, Nucualofa, na intenção de velejar até as Ilhas Fiji. Carregaram o barco com comida e um botijão de gás, mas esqueceram de itens simples que todo navegador deveria levar, como um mapa e uma bússola. Todavia, eram apenas garotos.

Cenas gravadas com os sobreviventes na ilha - Divulgação - Youtube

 

Caindo no sono, sem ninguém no comando da embarcação, acordaram e perceberam que a vela havia sido destruída. Completamente à deriva, a quantidade de comida que levaram não foi suficiente. Por sorte conseguiram encontrar uma das inúmeras pequenas ilhas que existiam na região. Lá, estabeleceram uma pequena comunidade onde ficaram por quase um ano. Acabaram sendo resgatados pelo capitão Peter Warner.


3. Tami Ashcraft

Tami e seu noivo, Richard Sharp, haviam passado meio ano velejando pelo mundo. A rota deles do Taiti até os Estados Unidos era, aparentemente, só mais uma entre tantas que iriam fazer ainda. No entanto, era um breve engano.

O furacão Raymond atingiu o Pacífico em 1983 e criou uma tempestade que atingiu em cheio o barco do casal. No meio da chuva, uma onda de 10 metros acertou a dupla em cheio. Ashcraft bateu a cabeça e apagou. Ao acordar, viu que seu noivo não estava mais no barco. Sem sucesso, percebeu que o amado fora engolido pelo Oceano.

Tami e seu namorado Richard Sharp / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com equipamentos destruídos, e perdendo o homem da sua vida, teve que passar 47 dias sozinha, encarando a perda de Richard — pensando, inclusive, em tirar a própria vida nesse meio tempo.

Contando com a ajuda de um sextante, descobriu que estava a 2.400 quilômetros de Hilo, no Havaí, e usou um poste quebrado como vela. O fim do sofrimento veio com a ajuda de um barco de pesquisa japonês, que a encontrou sozinha e desnutrida. Assim, a jovem foi levada em segurança até terra firme.


4. Steven Callahan

Sobrevivendo 76 dias à deriva, Steven era um experiente navegador, e com certeza isso foi crucial para que sobrevivesse ao Oceano Atlântico. Durante um vendaval, um objeto que o homem nunca soube qual era furou o casco de seu barco e inundou a embarcação que o próprio Callahan havia criado. Em pouco tempo, teve que salvar tudo que conseguia do barco para uma boia de emergência, essa seria sua residência por umas boas semanas.

Steven Callahan mostrando como sobrevivia em alto mar / Crédito: Divulgação

 

A comida que tinha em mãos não foi suficiente. Como consequência, o homem teve que caçar as aves que pousavam em sua flutuante casa laranja, além dos peixes que por lá passavam. Diversas eram as vezes que Steven tinha que fazer o nada agradável trabalho de espantar tubarões que rondavam o bote remendado.

A luz no fim do túnel veio com um grupo de pescadores de Guadalupe, da América Central que avistaram o bote do homem. Com a falta de comida e a água salgada, foi levado para um hospital desnutrido e ferido. Desde 1981 (ano do acidente) dá palestras sobre sua experiência de sobrevivência em que somente ele poderia se salvar.


5. Jesus Vidaña

Vidaña ganhava a vida caçando tubarões, então pouca coisa dava medo no mexicano que saiu do porto mexicano de San Blas, no México, ao lado de quatro companheiros de pesca. Saindo em 28 de outubro de 2005, não imaginavam que passariam nove meses à deriva. Depois de caçar os predadores aquáticos, uma forte corrente de mais de 7 metros mudou a direção do barco.

Jesús Vidaña / Crédito: Divulgação/Youtube/Programa Primer Impacto

 

A embarcação não tinha combustível suficiente para acertar a rota que fosse de acordo com as fortes ondas, deixando os homens à deriva. A comida acabou e eles tiveram que improvisar linhas e ganchos com pedaços do motor do barco, que já não servia para nada. Para beber, água da chuva.

Qualquer ser vivo que chegasse perto dos homens era caçado e comido cru automaticamente. Porém, o proprietário do barco e o ajudante de Jesús se recusaram a comer os animais crus, e acabaram morrendo de fome. 

(Da esq. pra dir.): O trio de náufragos Salvador Ordonez, Jesús Vidaña e Lucio Rendon /Crédito: Divulgação/Youtube/Programa Primer Impacto

 

Após não serem vistos por diversos barcos, uma embarcação asiática localizou os rapazes. Jesús e seus dois amigos, Salvador e Lucio, puderam voltar para suas casas, e Vidaña ficou especialmente feliz, pois conheceu a filha que estava para nascer enquanto despretensiosamente ficou à deriva por nove meses.


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