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De castigos divinos a falta de higiene: 5 fatos bizarros sobre a Medicina da Idade Média

Antigamente, a área da saúde era contestada e apenas as igrejas, por meio de orações e exorcismos, poderiam conceber a cura

Nicoli Raveli Publicado em 06/04/2020, às 16h19

Religiosos cuidando de um enfermo
Religiosos cuidando de um enfermo - Wikimedia Commons

É fato que a medicina da Idade Média era muito diferente da atual. Naquela época, o desenvolvimento da ciência era limitado devido ao poder da igreja, uma vez que as instituições pregavam que a Revelação estava presente nas Sagradas Escrituras, e não na observação da natureza ou questionamentos sobre a ciência. Dessa maneira, muitos procedimentos religiosos eram conhecidos pela possibilidade de curar os castigos divinos.

Pensando nisso, confira cinco fatos bizarros sobre a medicina na Idade Média.

1. O doente era um pecador

A igreja limitava a ciência a pensar que quem pecou em alguma fase da vida, seria amaldiçõado com uma doença. Dessa maneira, a cura só poderia acontecer por meio da instituição, através de orações e até mesmo exorcismos.

Fiéis rezando pelo enfermo / Crédito: Divulgação 

 

Para os santuários, muitas enfermidades, como as paralisias, poderiam ser interpretadas como a resposta para um cidadão desobediente das ordens de um determinado santo. Além disso, as doenças poderiam ser manifestadas em pessoas infiéis.

2. Epidemias eram castigos divinos

Seguindo a mesma linha de pensamento, as epidemias – ou pandemias – eram respostas para os pecados do mundo.  De acordo com a Bíblia, a doença poderia servir como uma punição, e apenas uma vida baseada na religião poderia fazer com que a população fosse perdoada.

Ilustração de pessoas infectadas pela lepra / Créditos: Wikimedia Commons

 

Não obstante, as instituições sempre explicavam as enfermidades com a palavra de Deus, e concediam sentido para os sofrimentos. Com o surto da Peste Negra, o bispo Cipriano declarou naquela época que morrer significava ser libertado do mundo.

3. Desconhecimento da anatomia

Devido a limitação por parte da igreja, a área científica não obtinha muitas informações. A anatomia ainda era inexplorada, já que a igreja pregava que abrir o corpo de um falecido era um grave pecado.

Naquela época, os poucos profissionais da saúde utilizavam porcos para realizar seus estudos, uma vez que o interior desse animal era semelhante ao do homem. Além disso, para alguns fiéis, somente os homens irracionais procuravam médicos. Segundo São Gregório de Tours, o correto era comparecer à tumba do milagroso São Martinho.

4. Sem condições de trabalho

Devido a limitação sobre a medicina, os poucos médicos e dentistas da época trabalhavam sem o auxilio de anestesias. Além disso, muitos não tinham acesso a higiene necessária durante os procedimentos.

Amputação de braço na Idade Média / Crédito: Divulgação 

 

Não obstante, os profissionais da saúde tinham que encontrar uma maneira para atenuar a dor dos enfermos. Foi quando eles começaram a utilizar a bebida alcoólica como aliada. Dessa maneira, os pacientes eram embriagados antes da cirurgia. Entretanto, o pós-operatório era outro problema. Naquela época, as feridas e cicatrizes das cirurgias eram tratadas com óleo quente.

5. Precauções para a operação

A medicina deu seus primeiros passos no final da Idade Média. Mesmo assim, a área da saúde ainda não era autônoma, e os estudos sobre os cadáveres ainda não varia parte da grade curricular do curso.

Mesmo apresentado certa evolução, ainda havia obrigações que não foram deixadas para trás, como é o caso das precauções de quem operava. Em Salerno, na Itália, diversas medidas precisavam ser adotadas na hora de escolher um cirurgião geral. Dentre os requerimentos, o profissional deveria evitar atos sexuais e proximidade com mulheres menstruadas.


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