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De comer com as mãos a defecar na rua: 5 fatos bizarros sobre a higiene no Brasil do século 19

Neste período da História os hábitos de higiene dos brasileiros eram extremamente precários e deploráveis

Victória Gearini Publicado em 12/06/2020, às 09h56

Homem urinando em espaço público durante o século 19
Homem urinando em espaço público durante o século 19 - Wikimedia Commons

As práticas higiênicas não eram tão comuns durante o século 19. Nesta época, muitas casas encontravam-se em estados deploráveis, com odores fortes e infestações de mosquitos, baratas e outros bichos. Por isso, também, muitas doenças contagiosas se proliferavam com maior facilidade. 

Segundo a historiadora Mary del Priore, a palavra higiene não constava nos dicionários deste período, e para suportar o mau cheiro e espantar bichos, as pessoas queimavam plantas odoríferas nos cômodos de suas casas. Mas a falta de higiene não se dava apenas nos lares ou estabelecimentos. No geral, as pessoas também não tinham o costume de se banhar.

Confira abaixo 5 fatos bizarros sobre a falta de higiene no Brasil durante o século 19:

1. Maus hábitos alimentares 

Durante essa época, era comum que as pessoas comessem do prato de seus vizinhos antes da refeição terminar, como prova de lealdade e amizade. Por conta disso, as refeições sempre eram barulhentas, repletas de gesticulações e comidas saindo para fora dos pratos. 

Além disso, outro hábito comum era comer com as próprias mãos, mas sem lavá-las antes — ou melhor dizendo, em nenhum momento do dia. Guardanapos também eram inexistentes dentro dos lares, até mesmo nas casas dos nobres. 

2. Banho de mar 

Neste período, banhar-se era uma prática incomum, apenas em casos de doenças, como aconteceu com Dom João VI. Após o monarca ser picado por um carrapato, sua perna inflamou, causando uma forte febre. Para se recuperar, os médicos lhe recomendaram um banho de mar.

Retrato de Dom João VI / Crédito: Wikimedia Commons

 

O rei mandou, portanto, construir uma caixa de madeira que funcionava como uma espécie de banheira portátil, onde a água do mar pudesse entrar. O único banho que se tenha conhecimento de Dom João VI, durante os 13 anos em que viveu no Brasil, foi este.

Com o passar do tempo, estas caixas de madeira se popularizaram entre os brasileiros, mas constantemente a água vivia suja e parada, proliferando doenças da mesma forma. 

3. Fezes de animais 

O uso de fezes de cavalos era recorrente entre as lavadeiras. A partir de uma fabricação a base de gordura, era possível obter um resultado mais leve e refinado do material, que servia para fixar as cores dos tecidos. Além disso, para combater o mau cheiro das roupas, os brasileiros utilizavam bolsa escrotal de jacarés. 

Dejetos sendo jogados no mar / Crédito: Wikimedia Commons

 

O cheiro do órgão do animal encobria o mau cheiro das vestes. Para fixar as cores dos tecidos e couros, tintureiros misturavam, ainda, urina e vinagre. Outro hábito comum na época era utilizar cebola para tirar manchas das roupas. 

4. Interior das casas 

Nas casas de súditos, geralmente, os sobrados ofereciam um quarto para os pais e camas apertadas para os filhos. Os cômodos eram pequenos e não possuíam ventilação adequada, o que levava as camas a terem fortes odores de suor — já que não eram lavadas. Era possível encontrar, ainda, um mosquiteiro, colchão rijo e travesseiros redondos.

Embora as camas tivessem um cheiro ruim, as pessoas preservavam a “qualidade e aparência” dos lençóis. Isto é, mesmo que estivessem sujos, tanto as roupas de cama quanto as vestimentas deveriam ser brancas.

5. Defecar na rua 

Trocar de roupa não era um hábito comum no dia a dia. Os padres jesuítas, por exemplo, só trocavam suas vestes às quartas-feiras e aos sábados. Até 1780, o sabão era importado da África e consistia na mistura de gordura animal e vegetal com soda cáustica. 

Nesta mesma época, era comum, ainda, se deparar com pessoas urinando e defecando em público, de forma descarada e sem repreensão, exibindo suas partes íntimas. 


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