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De gravidez a morte falsa: conheça as freiras mais polêmicas da História

Apesar de serem vistas como mulheres sacras, algumas freiras protagonizaram episódios polêmicos

Caio Tortamano Publicado em 13/08/2020, às 19h12

Ilustração de freiras
Ilustração de freiras - Divulgação

As freiras são mulheres que dedicam a vida em razão dos ensinamentos e dogmas da Igreja Católica, e por isso tinham prestígio. Porém, algumas entraram para a história após episódios polêmicos, sempre com muita desconfiança em torno delas.

Confira abaixo 5 freiras que se tornaram notórias e infames:

1. Maria Crocifissa Della Concezione

Em 1676, uma freira foi encontrada jogada no chão de seus aposentos em um convento italiano. Ela estava com o rosto sujo de tinta e uma carta que teria sido redigida por Satã enquanto era possuída pela figura maldita. Segundo ela, o tinhoso tinha como objetivo fazer a religiosa se converter ao satanismo e abandonar Deus.

 

A Igreja enxergou o caso como um episódio de batalha do bem contra o mal  — luta na qual foi considerada vitoriosa, sendo venerada depois de sua vida, mas não chegando a ser santificada. Atualmente, pesquisadores do museu Ludum, na Sicília, acreditam se tratar de uma mulher que sofria de esquizofrenia e transtorno bipolar.

2. Elizabeth Barton

Uma das várias vítimas que o monarca inglês, Henrique VIII, deixou pelo caminho foi a freira Elizabeth Barton. A religiosa teve a primeira epifania aos 19 anos de idade, quando visualizou que crianças da propriedade em que trabalhava como serva seriam mortas. Como consequência, começou a chamar atenção do clero. Para que suas visões permanecessem sob um dogma cristão, a tornaram freira.

Barton e Henrique em montagem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tornando-se praticamente uma celebridade no clero inglês, Barton conheceu Henrique VIII, e depois de um tempo profetizou que o monarca iria morrer pouco depois de se casar novamente. Ela era uma crítica assídua da separação do rei com Catarina de Aragão, e alegou ver um lugar no Inferno para o herege. Não demorou para que o monarca conspirasse contra a mulher e fizesse com que fosse trancafiada na prisão, depois sendo condenada à morte por traição.

3. Benedetta Carlini de Vellano

Entrando na vida de convento com apenas 9 anos de idade, Benedetta Carlini de Vellano afirmou anos depois, já freira, que tinha visões místicas, podendo até falar com Jesus Cristo.

Isso, entretanto, era considerado blasfêmia. Muitos acreditavam que a mulher estava sob posse do Diabo, sendo então acompanhada pela Irmã Bartolomea. As duas começaram a se envolver romanticamente, protagonizando a primeira relação lésbica da história moderna, no início do século 17.

As duas freiras representadas em obra / Crédito: Divulgação

 

Apesar da infâmia, pouco se sabe do destino final delas, sendo provável que a Igreja, assim que soube da relação, mandou prender Benedetta, passando o resto da vida presa. A história de Bartolomea é ainda mais incerta: é teorizado que morreu em 1660, um ano depois de sua amada.

4. A Freira de Watton

Abandonada aos quatro anos de idade na frente de um mosteiro em Watton, na Inglaterra, a menina teve um nome registrado historicamente, mas foi descrita em um manuscrito do século 12, sob a autoria do abade de Rievaulx, Aelred. A jovem, logo no início da vida, demonstrou não ter as qualidades para ser uma freira.

Certa vez, quando um grupo de religiosos fez uma reforma no Convento da freira, ela acabou se apaixonando perdidamente por um dos homens. Logo foi correspondida. Desde então, um romance ilícito foi despertado entre os dois, que rompiam o celibato toda vez que se encontravam, até que um dia a freira inevitavelmente engravidou. Quando foi descoberta, as outras freiras prenderam a grávida e cometiam atos terríveis contra a mulher, como espancamentos.

Representação do milagre da freira de Watton / Crédito: Divulgação

 

De acordo com a lenda, após um milagre a freira acordou sem seu bebê, que supostamente teria sido levado por dois anjos depois de a mulher ter se arrependido do pecado.

Nenhum sinal de gravidez mais existia na freira, sem leite nos seios nem inchaços, dando fim às violências. Já o pai, em compensação, foi capturado pelos irmãos de sua congregação e torturado, teve suas partes íntimas cortadas fora pela mãe de seu filho — que foi obrigada.

5. Joana de Leeds

A ocupação de freira definitivamente não era para Joana de Leeds, uma religiosa da casa de St. Clement, em York, na Inglaterra. Para acabar com a vida que não gostava resolveu morrer, mas de mentira. Para isso, fingiu estar gravemente doente e, com ajuda de colegas do convento, enterraram um boneco como se fosse o defunto da mulher.

Registro escrito de Joana de Leeds / Crédito: Wikimedia Commons

 

Não se sabe ao certo o que teria motivado a vontade dela de sair do Convento, e nem como teria vivido em seguida. Apesar disso, o arcebispo de York escreveu uma carta sobre o caso assim que ficou ciente da farsa. Ele afirmou que a mulher havia se entregado aos prazeres da carne e do pecado, “dando as costas à decência e ao bem da religião”, como ele apontaria na carta.


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