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De homens à mulheres do governo: as 5 capas mais polêmicas da Playboy

Após 67 anos de existência, a revista anunciou o encerramento nos Estados Unidos diante de problemas financeiros

Wallacy Ferrari Publicado em 19/03/2020, às 10h45

Montagem com algumas das notáveis capas da história da revista
Montagem com algumas das notáveis capas da história da revista - Divulgação

Graduado em psicologia, Hugh Hefner trabalhava na revista de comportamento Esquire em 1953, quando economizou, ao longo de meses, aproximadamente 8 mil dólares. Sua ideia com o dinheiro era simples: fazer uma revista masculina de postura incisiva e ainda mais aprofundada na ideia do homem no século 21.

Junto com a recente lei americana que proibia a circulação de calendários e o envio de correspondências contendo nudez, principalmente em decorrência ao número alto de fotos enviadas aos membros das recentes guerras que os Estados Unidos enfrentava, Hefner viu uma oportunidade de inserir nudez em larga escala, sem burlar lei alguma.

Assim nascia a revista Playboy, que ao longo de 66 anos, se tornou a revista mais popular do mundo comercialmente, associando a marca do coelho a diversos outros produtos por veículos distintos. Com mais de 700 edições publicadas, Ben Kohn, CEO da revista, anunciou na última quarta-feira, 18, o fim da edição impressa, com a última versão saindo nesta semana.

O processo de encerramento teria sido acelerado devido aos problemas econômicos causados pela pandemia mundial do coronavírus, porém, já persistiam desde o início dos anos 2010, com a massiva competição com o meio digital e o custo alto da revista. Apesar de seu fim, seu legado em relação ao comportamento, censura e nudez deixa uma importante marca na comunicação mundial.

Confira as 5 capas mais polêmicas da Playboy Americana.

1. Edições “Women of”

A capa "Women of Wall Street" (à dir.) e a cama "Women of the U.S. Government" (à esq.) / Créditos: Divulgação

 

Em novembro de 1980, duas funcionárias reais da marinha americana —Aubrey Rein e Yeoman Darlene —estamparam a edição especial “Women of U.S. Government”, com a missão de celebrar o patriotismo. Porém, a revista foi duramente criticada pelo apelo da publicação e as funcionárias foram exoneradas do cargo, mas as vendas subiram. Hugh aproveitou a deixa comportamental e decidiu replicar em outras edições.

Em agosto de 1989, a revista publicou a edição “Women of Wall Street”. Com os hábitos modernos do nova-iorquino no auge da moda, a revista foi até o distrito onde a bolsa de valores NYSE se localizava e conversou com diversas mulheres bonitas que por ali trabalhavam e circulavam, oferecendo uma grande quantia para posarem para a revista.

A edição, com 9 funcionárias reais de Wall Street, foi um sucesso de crítica e vendas, porém, foi alvo de um acalorado debate visto que, após a comentada publicação, sete das nove mulheres foram “convidadas a renunciar” aos seus respectivos empregos. Houve também, sempre com garotas reais, a edição com universitárias.

2. “Eu tenho um sonho”

A capa com Darine (à dir.) e a capa comemorativa, homenageando a pose de Darine (à esq.) / Créditos: Divulgação

 

Com uma edição histórica, outubro de 1971 estampou a primeira mulher negra como capa da revista. Outras duas mulheres afro-americanas já haviam aparecido dentro das revistas, mas modelo Darine Stern foi a primeira a covergirl. A edição, além de enaltecer a pele escura de Darine, tem artigos sobre a discriminação e a reação do racismo nos Estados Unidos, oito anos após a marcha liderada por Martin Luther King em Washington.

A capa teve uma recepção variada, pois uma parcela conservadora acreditava que era uma imoralidade por parte da revista em dar espaço a uma modelo negra. A capa, entretanto, foi considerada uma das mais bonitas da história em eleição no ano 2000. Fotografada por Richard Fegley, a pose foi replicada em 2009, na edição que estampou Marge Simpson.

3. Fantasia real demais

A capa estampada pela policial (à dir.) e uma foto de Carol em serviço (à esq.) / Créditos: Divulgação

 

Em agosto de 1994, Carol Shaya, nascida em Tel-Aviv, em Israel, mas morando nos Estados Unidos desde a infância, foi a capa da edição “NYPD Nude”. Na época da publicação, o prefeito de Nova York Rudolph Giuliani havia instalado a política de tolerância zero aos crimes da cidade, dando um poder nunca antes visto ao departamento de polícia do município, resultando no aumento da população carcerária da cidade e diversos casos de abuso policial.

Para jogar ainda mais fogo no debate, Hefner chamou Shaya, policial atuante nas ruas da megalópole para estampar a capa, engajando uma grande discussão nacional. A oficial a autorização de sua companhia teve autorização para posar nua, porém, não tinha autorização para posar com o uniforme usado em trabalho.

A Polícia de Nova York abriu um processo que, em 1995, a desligaria do departamento. Shaya respondeu processando o departamento por 10 milhões de dólares, alegando demissão indevida e discriminação de gênero, visto que os homens da companhia têm a tradição de estampar calendários usando uniformes.

4. Homens na capa

A capa de Donald Trump, em 1990, (à dir.) e a capa de Jerry Seinfeld, em 1993 (à esq.) / Créditos: Divulgação

 

Ao longo de seus 66 anos, a Playboy deu, em raríssimas ocasiões, a capa de suas revistas aos homens que fizeram algo notável na época. Donald Trump, em 1990, era conhecido como o maior businessman da América. O comediante Jerry Seinfeld estampou a capa em 1993, quando seu seriado tinha a melhor audiência dos Estados Unidos. Steve Martin, Leslie Nielsen e Norman Mailer também tiveram suas edições de destaque.

As edições que enaltecem homens dividem opiniões, por não dar espaço as playmates que os acompanham, substituindo a entrevista das mesmas, e desagradam o leitor que dá preferência as fotos das modelos nuas. No século 21, apenas Bruno Mars e Seth Rogen conseguiram esse feito.

5. A primeira e mais importante

A famosa primeira capa e o fotógrafo Tom Kelley com uma das fotos do ensaio em mãos / Crédito: Getty Images

 

Quando a primeira edição da Playboy foi publicada, em dezembro de 1953, não tinha data na capa, pois Hugh não tinha certeza se haveria uma segunda edição. Porém, a primeira não poderia ter sido menos notável: Marilyn Monroe acabou vendendo 50 mil exemplares. O que era desconhecido na época, era o fato de que Monroe nunca havia feito as fotos especialmente para a revista.

Quatro anos antes, quando a atriz estava sem dinheiro, foi convidada a posar para um calendário por Tom Kelley, que lhe ofereceu 50 dólares. Quando Hugh procurava boas fotos para a sua primeira edição, se encontrou com Kelley e pagou 500 dólares pelas mesmas. Com o sucesso das fotos, Marilyn aproveitou para obter ainda mais apreço popular e não processou a revista.

A verdade é que Hugh nunca pôde se encontrar com Marilyn e agradecê-la pela oportunidade de levantar seu império comercial, porém, adquiriu a cripta localizada ao lado a da atriz e, quando faleceu, em 2017, foi enterrado junto a sua musa inspiradora.


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