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De onde veio o ditado "dinheiro não tem cheiro"?

Essa e a tão famosa expressão "são outros quinhentos" tiveram origens muito mais antigas do que podemos imaginar. Confira!

Flávia Souto Maior Publicado em 09/01/2022, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação/ Pixabay/ Frantisek_Krejci

Esse dito popular, presente em vários idiomas, dá origem à cláusula tributária chamada pecunia non olet ou non olet (não tem cheiro) — em que, para o fisco, pouco importa se os rendimentos tributáveis tiveram ou não fonte lícita ou moral. Com quase 2 mil anos de existência, a expressão surgiu da boca do imperador de Roma Vespasiano (9-79).

Relatos do historiador romano Suetônio contam que o imperador espalhou pelo seu território impostos bizarros. Quando restavam poucas coisas para serem taxadas, Vespasiano tributou, inclusive, o uso dos mictórios públicos.

Roma tinha então 144 latrinas públicas. Ao lado dos banhos, elas eram muito populares como locais de bate-papo entre os cidadãos. Quando Vespasiano declarou o imposto, irritou até mesmo seu filho Tito, que resolveu inquirir o pai.

Vespasiano, em resposta, teria enfiado no nariz do rebento uma das primeiras moedas provenientes dos banheiros, e perguntado algo como: “Incomoda-se com o cheiro?” O filho não sentia nada. “No entanto, provém da urina”, teria dito o imperador, concluindo: “dinheiro não tem cheiro”.

Apesar de narrada por Suetônio como uma anedota sobre a avareza de Vespasiano, a história mostra a batalha do imperador para equilibrar as contas de Roma, submersa numa guerra civil depois da morte de Nero. Sem ligar para o cheiro do dinheiro, ele botou as contas do império em dia.

"São outros quinhentos"

Já quando você usa a expressão acima para separar uma história de outra, está seguindo uma tradição ibérica do século 13. Quinhentos era o valor em soldo (moeda antiga de Portugal) que os fidalgos tinham o direito de receber na Justiça caso sofressem algum tipo de injúria. Se a vítima não pertencesse à mesma hierarquia, a indenização a que tinha direito era de apenas 300 soldos.

“No direito português antigo, a diferença de tratamento entre nobres e as pessoas do povo era comum”, afirmou o professor de história do direito da Universidade de São Paulo, Ignácio Póveda. Se o mesmo agressor proferisse mais uma ofensa, poderia pagar “outros quinhentos” de multa.