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De onde vem a fama de Henrique VIII como pior rei da Europa?

Segundo monarca inglês da Casa de Tudor, ele teve seu reinado marcado por polêmicas e mortes. Mas será que seu governo foi realmente tão ruim assim?

Fabio Previdelli Publicado em 28/01/2020, às 11h00

Gravura de Henrique VIII
Gravura de Henrique VIII - Getty Images

Segundo rei inglês da Casa de Tudor, Henrique VIII teve seu reinado marcado por polêmicas e mortes... muitas mortes. Tanto é que, mesmo após 473 anos de seu falecimento, completados nesta terça-feira, ele segue sendo considerado o pior monarca da História inglesa — de acordo com a Associação dos Escritores Históricos do Reino Unido.

Mas será que seu reinado foi tão ruim assim mesmo? Confia 5 pontos que comprovam a fama de Henrique VIII:

1. Conturbada vida amorosa

Seria leve demais dizer que Henrique VIII teve uma vida conjugal um tanto quanto agitada. Desesperado por um herdeiro, ele anulou seu casamento com Catarina de Aragão para se juntar com a nobre e ambiciosa Ana Bolena.

Entretanto, a união gerou apenas uma filha e o monarca resolveu condenar e executar sua amada por adultério e traição. Assim, ele casou, novamente com Joana Seymour, que lhe deu o tão sonhado filho. Mas ela acabou morrendo no parto.

Henrique VIII rodeado de suas esposas / Crédito: Getty Images

 

A fila real não demorou muito para andar, e logo Henrique estava casado com Ana de Cleves — a união durou apenas alguns dias. Sua quinta esposa, Catarina Howard, teve o mesmo destino de Ana Bolena. Por fim, ele acabou com Catarina Parr, que sobreviveu as loucuras obsessivas do monarca.


2. Constantemente ele declarava guerra contra outra nação... apesar dele não ser muito bom em conflitos

Apesar de Henrique VIII apresentar pouco talento como general, nada o impediu de levar seu império a constantes guerras. Seus inúmeros esforços para conquistar a Escócia, acabaram empurrando o país do golfe a se aliar com a França.

Ao mesmo tempo, sua aliança com o Sacro Imperado Romano, Carlos V, teve um período conturbado durante o fim de seu casamento com Catarina de Aragão — já que Catarina era tia de Carlos.

Pintura de Carlos V / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1542, Henrique e Carlos uniram forças novamente para combater a França — eterna rival da Inglaterra — no que seria a terceira guerra francesa do reinado do monarca. Neste ponto de seu governo, Henrique estava gordo demais para liderar seus homens a cavalo e tinha que ser carregado por tropas ao longo das linhas de batalha.

Mesmo depois que Carlos assinou um tratado com os franceses, Henrique continuou na batalha, falindo no processo.


3. A confusa e sangrenta separação com a Igreja Católica

Depois de anos tentando, e não conseguindo, anular seu primeiro casamento, Henrique VIII voltou-se para o astuto conselheiro Thomas Cromwell. Em 1532, Cromwell conseguiu que o Parlamento aprovasse uma lei que fizesse do monarca o chefe da Igreja da Inglaterra, o que removeu efetivamente o país da autoridade do papa.

Pintura de Thomas Cromwell / Crédito: Wikimedia Commons

 

A medida fez com que sua riqueza e poder aumentassem, exponencialmente, na década seguinte — todos os mosteiros ingleses foram fechados e seus ativos transferidos para os cofres do rei. Quem se opunha contra a revolução, como o velho amigo e conselheiro de Henrique, Thomas More, foram executados sob duras leis de traição.


5. Execuções, execuções e mais execuções

Entre 1530 e 1540, Henrique VIII executou vários membros das famílias Pole e Courtenay por, supostamente, conspirarem contra ele — principalmente, pelo fato, deles terem sangue real, o que lhes dava reivindicações concorrentes ao trono.

Por isso, em 1541, ele até ordenou a execução da frágil Margarida Pole, de 67 anos, que era uma governanta de sua filha Maria. Eventualmente, o papel de Thomas Cromwell em arranjar o casamento fracassado do rei com Ana de Cleves também o tornaria alvo do monarca. Thomas também acabou sendo executado.

Margarida Pole também foi executada / Crédito: Wikimedia Commons

 

Houve ainda outras importantes mortes, como de suas esposas Ana Bolena e Catarina Howard, assim como Henry Howard, tio do monarca. O historiador do século 16, John Stow, afirmou que Henrique mandou executar cerca de 70.000 pessoas durante seu reinado.


5. Ele herdou uma fortuna... e perdeu tudo

Henrique VIII herdou uma grande fortuna, o equivalente a cerca de £ 375 milhões nos dias de hoje, o que dá cerca de R$ 2 bilhões. Mas, mesmo com tudo o que era arrecadado com impostos, o governo do monarca sempre pareceu estar à beira da falência.

Os gastos excessivos e as guerras continentais caras, fizeram a herança do rei acabar muito rapidamente. Embora a renda anual permanecesse estável, graças aos aluguéis e taxas pagos por seus súditos, a inflação e os preços dos produtos sofreram grandes impactos.

Pintura de Henrique VII / Crédito: Getty Images

 

Duas vezes durante seu reinado (em 1526 e 1539), Henrique desvalorizou a moeda da Inglaterra, o que proporcionou alívio temporário, mas que acabou piorando a inflação. Ele acabou morrendo em dívidas.


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