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De onde vem a teoria de que Jesus se casou com Maria Madalena?

A mulher que, na Bíblia, foi a primeira a testemunhar a ressurreição de Cristo, ganhou muitos rótulos controversos

Vanessa Centamori Publicado em 11/08/2020, às 16h40

Aparecimento de Jesus Cristo a Maria Magdalena (1835) por Alexander Andreyevich Ivanov
Aparecimento de Jesus Cristo a Maria Magdalena (1835) por Alexander Andreyevich Ivanov - Wikimedia Commons

Maria Madalena é uma das mulheres mais rotuladas dos registros históricos cujos temas são bíblicos. De um lado, é chamada de santa e testemunha de um milagre. De outro, é prostituta e pecadora — e até esposa de Jesus Cristo. Mas de onde será que veio essa polêmica narrativa, na qual Madalena teria vivido um romance com o próprio Deus vivo?

Na Bíblia, essa história não está explícita, mas aparece em alguns dos primeiros textos cristãos. Um estudo divulgado em 2014 e feito pelos pesquisadores Barrie Wilson e Simacha Jacobovic, da British Library, identificou um desses documentos. 

O texto, que tem cerca de 1500 anos, é chamado de Lost Gospel ("o gospel perdido", em português). Ele diz até que Jesus e Madalena tiveram dois filhos e eram casados, sendo, portanto, marido e mulher. Porém, esse não é o único registro de uma eventual relação entre os dois. 

A conversão de Maria Madalena, por Paolo Veronese / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O que diz a Bíblia? 

Segundo a pesquisa, ainda que de modo sutil, a própria história de Jesus, registrada na Bíblia, também dá pistas da representatividade que Maria Madalena pode ter tido na vida do mestre do cristianismo. Um episódio exemplar está em João 20:11-13, quando Jesus aparece para Maria, enquanto ela está chorando ao lado do túmulo vazio.

“Mulher, por que você está chorando?”, Cristo pergunta. De modo curioso, a palavra grega gunē (mulher) do texto original também pode ser traduzida como “esposa”. A seguir, Cristo chama Madalena gentilmente de “Maria”, ao que ela responde, “Rabboni” (mestre). 

A Bíblia mostra ainda que Maria Madalena teve grande importância na vida e ministério de Jesus. Segundo Lucas, depois que ele expulsou demônios da pecadora, ela passou a fazer parte de um grupo de mulheres que viajava com o mestre e seus 12 discípulos, “proclamando as boas novas do reino de Deus”. 

Outros registros 

Um outro documento significativo para a história de Maria Madalena como esposa é o Evangelho de Maria, segundo informou o site History. O texto, que não é oficialmente reconhecido pela Igreja, é do século 2 d.C e foi identificado no Egito em 1896. Em termos de conhecimento e influência, Madalena aparece no documento acima dos discípulos de Jesus. 

Já nos Evangelhos Gnósticos, atribuídos aos primeiros cristãos daquele mesmo século, a personagem ganha ainda mais destaque. Em um dos textos do conjunto, chamado de Evangelho de Filipe, ela é descrita como companheira de Jesus. É dito ainda que ele a amava mais do que os outros discípulos. 

De modo bastante ocultado, mais uma informação completava dizendo que Jesus costumava beijar Maria "muitas vezes" na ____. O resto da frase estava ilegível, mas especialistas acreditam que o termo se refere à boca da dama. 

Uma descoberta incrível

Segundo informou o The Huffpost, em 1980, em Talpiot, nos arredores de Jerusalém, arqueólogos fizeram outra descoberta impressionante. Era um túmulo de 2 mil anos, onde estavam dez ossuários, dos quais seis deles tinham inscritos. Um dizia em hebraico/aramaico “Jesus filho de José”. Já outro, Maria”; e ainda, mais um, “Yose” — um apelido referido nos Evangelhos para um dos irmãos de Jesus (Marcos 6 : 3, Mateus 13:55). 

A maior revelação foi ainda que havia mais uma quarta caixa com o nome “Mateus” e uma quinta com o nome “Mariamene”, uma versão grega de “Maria”, associada à Maria Madalena. O mais intrigante foi que em um sexto compartimento, feito para uma criança, tinha o nome “Judá, filho de Jesus”, registrado.

A confirmação da autenticidade do local nunca foi confirmada por falta de pesquisas, mas as coincidências são bem chocantes e foram registradas no livro O Evangelho Perdido, do jornalista e escritor Simcha Jacobovici.

Magdalena penitente, por Tintoretto / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Teorias recentes

A ideia que relaciona Maria Madalena com Jesus também aparece em produções cultuais variadas. Um exemplo é o romance de 1955 do escritor grego Nikos Kazantzakis, A Última Tentação de Cristo, e sua versão cinematográfica. E ainda o livro 2003 de Dan Brown, O Código Da Vinci, que mostra como se eles fossem um casal que teve filhos. 

Vale lembrar ainda que os Evangelhos chamam Jesus de “Rabino” (Mateus 26:49, Marcos 10:51, João 20:16). Naquela época, assim como agora, rabinos se casam. E Maria Madalena foi na manhã de domingo para lavar e ungir o corpo crucificado de Jesus (Marcos 16: 1).

Na ocasião, ao que indica uma hipótese defendida por Jacobovici, nenhuma mulher tocaria no corpo nu de um rabino morto — a menos que ela fosse da família. Ou seja, o sangue e o suor de Jesus só podem ter sido lavados pela esposa: supostamente, Maria Madalena. 


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