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Dia de Star Wars: como o caso Watergate e o Terceiro Reich influenciaram a saga?

A temática sempre esteve presente como pano de fundo na franquia de George Lucas

Fabio Previdelli Publicado em 04/05/2020, às 13h02

Padmé Amidala no Senado da República Galática
Padmé Amidala no Senado da República Galática - Divulgação

Star Wars é um das maiores — senão a maior — franquias da história do cinema. Seja em livros, filmes, spin-off e séries, o legado iniciado por George Lucas em 1977 até hoje atrai uma multidão de fãs que são completamente apaixonados por qualquer coisa relacionada a esse universo.

Como forma de celebrar a franquia, o dia 4 de maio foi escolhido como uma espécie de feriado não oficial para os fãs da saga. A data foi definida por um trocadilho com a icônica frase “Que a Força esteja com você”. Em inglês, a citação seria “May the Force be with you”. Assim, era comum que muitos fizessem uma brincadeira com “May the fourth be with you” (“Que o 4 de maio esteja com você”, em tradução literal).

Outro ponto curioso sobre a franquia é como a política americana influenciou na narrativa dos primeiros filmes. Quando George Lucas começou a escrever o roteiro de um filme de ficção científica sobre um grupo de rebeldes que lutavam contra um governo corrupto, o julgamento do caso Watergate estava apenas começando — tudo isso aconteceu em 1973, um ano antes de Nixon renunciar ao cargo de presidente americano e quatro anos antes da estreia do primeiro filme da série: Uma Nova Esperança (1977).

Todo o enredo da trilogia original refletia a política árdua daquele momento. O conflito entre o Império — um regime autoritário, supremacista e militarizado por um ditador — e a aliança rebelde — que era composta por aqueles que lutavam contra todas as imposições — carregava o pensamento ideológico que Lucas tinha a respeito de uma autoridade opressora.

O próprio diretor chegou a admitir isso em alguns momentos. Em entrevista ao Chicago Tribute, em 2005, ele declarou: "Foi realmente sobre a Guerra do Vietnã, e esse foi o período em que Nixon estava tentando concorrer a um [segundo] mandato, o que me levou a pensar historicamente sobre como as democracias se transformam em ditaduras. Porque as democracias não são derrubadas; elas são entregues”.

Richard Nixon / Crédito: Getty Images

 

“A história original foi escrita há 30 anos. Eu não queria fazer um filme sobre como pessoas assumem o controle de uma democracia, queria entender como democracias podem se entregar a tiranos”, disse à BBC.

A política nas prequels

Mas as inspirações políticas não pararam na trilogia original, Lucas também usa inúmeras referências nas prequels. O imperador Palpatine, também conhecido como Darth Sidious, também foi inspirado em Nixon.

O diretor deixou isso claro quando foi questionado se o tirano dos filmes foi um Jedi em algum momento de sua existência. "Não, ele era um político. Richard M. Nixon era o nome dele. Ele subverteu o Senado e finalmente assumiu o cargo e se tornou um cara imperial e ele era realmente mau. Mas ele fingiu ser um cara muito legal”.

Frase de Palpatine para Luke Skywalker / Crédito: Creative Commons

 

Mas as alusões políticas de Lucas não se resumiram somente a década de 1970. O diretor também aproveitou a franquia para comentar e prever o governo Bush — que começou em 2001, paralelamente com as estreias de A Ameaça Fantasma, O Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, foram lançados, respectivamente, em 1999, 2002 e 2005.

Nesse ponto, a história cinematográfica permitiu que Lucas explorasse completamente como uma república popular pode se transformar em um império. Diferentemente dos originais, que eram amplamente relacionados à política da época, os novos estavam ocorrendo simultaneamente à Guerra ao Terror.

Em uma entrevista ao The New York Times, ao explicar a história de Anakin Skywlaker — um jovem promissor que é desviado para o lado sombrio por um político mais velho, se tornando o temível torna Darth Vader — o diretor relaciona o personagem com o presidente americano da época. “George Bush é Darth Vader. [Dick] Cheney é o imperador”.

Geroge W. Bush / Crédito: Getty Images

 

Essa afirmação fica bem clara na semelhança entre os discursos dos dois: enquanto Anakin dizia que “se você não está conosco, você é meu inimigo”, Bush pregava que “você está conosco ou contra nós”.

Assim como Bush, o chanceler Palpatine explorava os medos da guerra para transformar a República em um Império governado por ele. Em ‘A Vingança dos Sith’, enquanto a senadora Padmé observa o tirano consolidar seu poder, em meio a um extenso senado, ela comenta com desgosto: "É assim que a liberdade morre, com um estrondoso aplauso”.

“Como se entrega a democracia a um tirano com aplausos? Não com um golpe, mas com aplausos? Essa é a história de César, Napoleão e Hitler”, declarou o diretor ao site Starwars.com.

Além de todo o contexto político americano, a ascensão do nazismo também foi uma grande referência para Lucas. Afinal, Hitler assumiu o poder por meios legais, em vez de tomar o poder com a violência durante o governo de Weimar, o povo glorificou o tirano “com aplauso”.

Frase de Padimé Amidala / Crédito: Creative Commons

 

“Desde sua primeira aparição, o Império era claramente uma alegoria para o fascismo. ‘Stormtrooper’ [aqueles soldados de armadura branca que são extremamente fiéis ao Império] é um termo que vem das tropas alemãs na Primeira Guerra Mundial e reaparece na Alemanha nazista como a ala paramilitar do Partido Nazista”, explica a repórter do Gizmodo Katharine Trendacosta.

Recepção da última trilogia

A política sempre esteve e sempre estará presente em Star Wars, seja na franquia original ou no arco mais recente, que se encerra essa semana. Um dos últimos episódios envolvendo esse viés em Star Wars aconteceu em 2016.

Na ocasião, em que acontecia a estreia de ‘Rogue One: Uma história Star Wars’, o roteirista Chris Weitz associou, em sua conta do Twitter, o Império do filme a grupos supremacistas brancos, publicando uma imagem com os dizeres “Star Wars contra o ódio”.

A ideia não foi bem quista por espectadores de direita, que, revoltados, organizaram um boicote contra as conotações políticas da série, se manifestando pela mesma rede social com a hashtag #DumpStarWars.

Ao pensar em tudo que Lucas já produziu ou disse, é difícil não concordar com ele de que "não importa para quem você olhe na história, a história é sempre a mesma". Afinal, assim como os mitos seculares que permeiam Star Wars, a política nunca muda de verdade.


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