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Divisão de 60 anos: 5 curiosidades sobre a briga dos irmãos que criaram a Adidas e Puma

A rivalidade entre Adolf e Rudolf Dassler tornou-se tão grande que se estendeu para uma cidade inteira e todas as suas relações sociais

Isabela Barreiros Publicado em 02/09/2020, às 07h00

Os irmãos Adolf e Rudolf Dassler
Os irmãos Adolf e Rudolf Dassler - Wikimedia Commons

Embora a competição entre empresas de ramos similares seja um pressuposto dos mercados atualmente, isso não se aplica de forma simples no caso da Adidas e Puma. As companhias vendem equipamentos esportivos, envolvendo uma variedade de itens, mas o maior problema entre essa intriga não foi o fato de elas comercializem produtos semelhantes.

Na verdade, o maior problema que envolve as lojas é uma briga de família. Mais especificamente, a briga de dois irmãos que fez com que eles decidissem desenvolver dois nomes diferentes de empresas do mesmo tipo, não por coincidência.

Confira a seguir 5 curiosidades sobre essa história peculiar:

1. O início

Os irmãos Adolf e Rudolf Dassler eram sócios na empresa Dassler Brothers Sports Shoe Company, localizada em Herzogenaurach, na Alemanha. Desde a década de 1920, os dois vendiam, conforme pode se imaginar, equipamentos esportivos — no início, juntos.

No entanto, cuidavam de segmentos diferentes do negócio que se dispuseram a administrar. Enquanto Adolf era responsável por pensar os modelos e desenvolver os sapatos a partir de seus desenhos, Rudolf ficava mais com a parte essencialmente comercial, vendendo de fato os produtos. Isso ficará muito evidente e importante conforme a história segue.


2. Ideia do milhão

No começo, a Dassler Brothers Sports Shoe Company era um negócio pequeno, podendo ser considerado quase local. Um evento, porém, fez com que eles crescessem abruptamente. O período em que a empresa estava se desenvolvendo nos lembra um nome que estava ficando cada vez mais conhecido na Alemanha: o de Adolf Hitler.

Na época, os irmãos eram filiados ao Partido Nazista, do qual o líder austríaco fazia parte. Ainda assim, eles tiveram uma ideia de ouro em meio ao momento histórico no qual viviam: eles conseguiram convencer o atleta afro-americano Jesse Owens a usar os tênis da marca nas Olimpíadas de 1936.


3. Sucesso alcançado

Jesse Owens ao vencer a prova de 100 metros / Crédito: Getty Images

 

Aquelas Olimpíadas ficaram conhecidas devido ao racismo explícito que estava sendo exorbitado e, posteriormente, institucionalizado pela Alemanha de Hitler. O evento tinha como objetivo oculto — mas nem tanto — fazer uma propaganda da superioridade ariana, tão difundida pelos nazistas durante o período.

Jesse Owens ganhou quatro medalhas ao longo da competição, contrariando o pensamento racista exposto por Hitler. E ele ainda estava usando os tênis dos irmãos Adolf e Rudolf Dassler. Já dá para imaginar que as vendas da empresa cresceram subitamente e, pelo que se estima, passou até mesmo a faturar em dobro do que fazia antes do atleta exibir o calçado no evento.


4. Os problemas

Com o sucesso, porém, vieram os problemas. Pode ser ainda que o crescimento da companhia tenha apenas provocado as intrigas que os irmãos tinham um com o outro. Acredita-se que as esposas dos dois também não se davam bem, fator que teria dificultado a relação da família e, principalmente a partir daí, da empresa. Foi então que eles chegaram a uma decisão peculiar: dividir a companhia — exatamente na metade.

Mas a fragmentação não ficou apenas na empresa. Os dois construíram as fábricas em lados opostos da cidade e os funcionários foram divididos, no entanto, isso acabou se espalhando para o restante de Herzogenaurach. Esse foi um dos eventos mais peculiares da história, em que a divisão de um negócio acabou separando uma região inteira em duas partes.


5. A fragmentação

Adolf foi responsável por nomear sua parte de Adidas, empresa em que demonstrava seu maior conhecimento técnico para produzir os tênis. Já Rudolf, com sua facilidade em movimentar produtos, tinha uma ótima equipe comercial na segunda divisão da empresa que ficou conhecida como Puma.

A cidade ficou até mesmo conhecida como "cidade dos pescoços tortos" devido ao status de separação intenso das marcas. A rivalidade era tanta que lojas poderiam vender tênis de apenas uma das marcas, tendo que escolher o seu “lado” e especula-se que pessoas não namoravam ou tinham relações com outras que preferiam a empresa oposta. A coisa foi tão feia que, segundo a CNN, os irmãos foram enterrados em lados opostos do mesmo cemitério.

Em 2009, no entanto, as duas companhias tentaram colocar um fim a esse antagonismo. Naquele ano, a Adidas e a Puma fizeram um ato de paz simbólico foi feito para tentar controlar a hostilidade de anos: uma partida amistosa de futebol que contou com a participação de funcionários.