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Do armário para o altar: a história do vestido 'perdido' de Elizabeth I

Após anos sem vestígios das vestimentas da rainha, uma descoberta acidental entrou para a História quando foi solucionada em 2019

Daniela Bazi Publicado em 13/03/2021, às 10h00

A rainha Elizabeth I em uma de suas pinturas mais famosas
A rainha Elizabeth I em uma de suas pinturas mais famosas - Getty Images

Sendo a última monarca da Dinastia Tudor, Elizabeth I foi uma das rainhas mais importantes da Inglaterra. Responsável por fundamentar as bases do anglicanismo como religião central do reino, a soberana também é reconhecida por suas vestimentas, que sempre contavam com muitas cores.

De acordo com a instituição britânica Historic Royal Palaces, a filha de Henrique VIII e Ana Bolena possuía inúmeros vestidos quando faleceu, em 1603. No entanto, por 400 anos, ninguém nunca havia encontrado resquícios das vestes da rainha, até uma descoberta histórica feita em 2019, que fora repercutida pelo site da Twon & Country.

Naquele ano, de forma despretensiosa, a curadora Eleri Lynn, da Royal Ceremonial Dress Collection, realizava uma pesquisa na internet para o livro “Tudor Fashion”, quando se deparou com uma imagem descrita como o “Pano do Altar de Bacton”, que estava exposto na Igreja de St. Faith, Bacton, em Herefordshire, Inglaterra.

Intrigada com a peça que parecia datar do final do século 16, Eleri decidiu fazer uma visita até o local para analisar o tecido de perto. Ao chegar à igreja, a curadora conta no vídeo do Historic Royal Palaces no qual relata a descoberta, que logo conseguiu perceber que se tratava de algo muito especial.  

O "Pano de Altar de Bacton" / Crédito: Divulgação/Historic Royal Palaces

 

O vestido de Elizabeth I

Com a autorização dos responsáveis pela paróquia, Lynn levou o fragmento têxtil para as oficinas de restauração de Hampton Court, com o intuito de realizar pesquisas mais detalhadas, além de salvar o tecido de maiores degradações.

Após uma intensa análise, foi concluído que o item possuía delicados fios de ouro e prata que, de acordo com a lei da Era Tudor, poderiam ser utilizados apenas pelos maiores níveis da realeza, além de também conter detalhes com corantes vermelhos do México - algo raro e caro na época.

A costura, eleita por Eleri como uma das mais requintadas no qual já havia visto, também indicava que a peça já teria sido usada como uma vestimenta, e não apenas como um tecido de altar. Lynn ressalta que, ao avaliar todos os detalhes presentes na peça, as evidências a levaram apenas para uma pessoa: Elizabeth I.

O quadro Rainbow Portrait, de 1600, também seria uma outra forte prova da autenticidade do tecido. Nele, a rainha é retratada com um vestido notavelmente similar ao encontrado em 2019.

Rainbow Portrait / Crédito: Divulgação

 

Do armário para o altar

As pesquisas afirmam que o item teria chegado a Bacton através da saga de Blanche Parry, uma das servas da monarca. Ela era uma das pessoas no qual Elizabeth confiava dentro de sua corte.

Uma reportagem do The Guardian, publicada em setembro de 2019, explica o possível trajeto do tecido. A matéria relata que, apesar do vestido ter uma existência posterior a morte de Parry, especialistas acreditam que a monarca teria dado o item a família da mulher ou até mesmo a paróquia em memória a criada. 

"Todas as evidências que temos do guarda-roupa Tudor são retratos e belas descrições, e alguns acessórios aqui e ali", explicou Lynn ao Twon & Country. "Então, encontrar um item de tão boa procedência da corte elisabetana e tê-lo tão belo, opulento e rico, é uma janela para o passado. O poder da roupa, na verdade, é que ela conta a você sobre a época em que foi feita, mas também a pessoa que o usou. E, portanto, o fato de que isso pode muito bem ter adornado o corpo de Elizabeth I é uma maneira de chegar perto dela de maneira pessoal. "

Após todas as pesquisas e da restauração que durou mais de 1.000 horas, o vestido da última monarca da Dinastia Tudor foi encaminhado para o Hampton Court Palace, local onde a rainha viveu, para uma exposição que durou de 12 de outubro de 2019, até 23 de fevereiro de 2020.


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