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Do século 16 ao século 21: a eterna busca pela milagrosa fonte da juventude

O espanhol Juan Ponce de Leon teria encontrado águas com propriedades mágicas. Mas onde elas estariam?

Vanessa Centamori Publicado em 10/03/2020, às 07h00

Obra a Fonte da juventude, de Lucas Cranach
Obra a Fonte da juventude, de Lucas Cranach - Wikimedia Commons

A procura por uma fonte da juventude é uma busca que vem do século 16 - ou muito antes, se considerarmos relatos pouco conhecidos. Um deles conta que o poeta grego Homero já dizia que a velhice era “repugnante”. Outro, fala que Alexandre, o Grande, já procurava por um rio que revertesse o seu envelhecimento antes de morrer, por volta de 323 a.C. 

Alexandre, o Grande e seu cavalo / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Apesar disso, o relato mais famoso narra a história do mês de março de 1513, quando, partindo de Porto Rico, o explorador espanhol Juan Ponce de Leon saiu em busca de uma ilha conhecida como “Bimimi”. Lá estaria uma suposta fonte mágica com águas rejuvenescedoras.

No próximo mês, sua expedição, encorajada pela coroa espanhola, partiu para a Flórida, onde hoje fica a cidade de Saint Augustine. Trata-se da cidade mais antiga dos Estados Unidos e onde a as águas mágicas estariam atualmente. 

Porém o que resta na cidade é apenas uma atração turística de mais de um século, que lembra a fonte procurada por Ponce de Leon. Infelizmente, a água fornecida pela exibição não deixa os visitantes idosos com cara de adolescentes. 

O espanhol  Juan Ponce de Leon / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Por isso, alguns historiadores acreditam que, na verdade, Ponce de Leon não estava procurando pela fonte da juventude. Há uma hipótese que diz que o aventureiro passou longe desse local: ele teria se afastado a mais de 225 quilômetros ao sul, chegando na região onde fica hoje Melbourne, na Flórida. 

Mas se Ponce de Leon nunca encontrou a fonte, de onde veio essa ideia? bom, uma teoria diz que a história da água rejuvenescedora surgiu muito após a morte dele. Foi  uma mera invenção de historiadores espanhóis, fabricada em 1521. Era um modo de zombar do explorador, considerado um homem velho em busca de vigor sexual. 

Escritos que ficam na atração turística da fonte da juventude / Crédito: Divulgação 

 

No entanto, há algumas pistas que apontam para uma eventual veracidade de que Ponce de Leon possa realmente  ter encontrado a fonte. Em entrevista ao canal National Geographic, a professora de arqueologia da Universidade da Flórida, Kathleen Deagan, lembrou que há registros de um cemitério e os restos de uma missão espanhola que data de 1565. 

Esse ano, coincidentemente - ou não - é o ano de fundação da cidade de Saint Augustine. E o cemitério estava próximo do local que abrigaria a fonte da juventude descoberta por Ponce de Leon. "Sempre foi interessante e irônico que o site seja, de fato, um dos locais históricos mais importantes da Flórida", contou Deagan.

Atração turística da fonte da juventude / Crédito: Divulgação 

 

Apesar dessa coincidência,muito provavelmente, a magia da fonte capaz de combater o envelhecimento é nada mais do que uma lenda greco-romana. O mito foi apropriado pelo Renascimento europeu, durante o século 16.

Diz a lenda que ela era um rio que passava da causa dos deuses, o Monte Olimpo e que alcançava a Terra. Por estar em contato com os deuses, a fonte teria ganhado propriedades mágicas e passaria a imortalidade para quem bebesse daquela água abençoada.

Escultura de Ponce de Leon / Crédito: Divulgação Youtube 

 

Outras culturas além da greco-romana também citaram águas milagrosas similares. É o caso dos registros indus de 700 a.C, que falavam de um chamado “poço da juventude”. Na Idade Média, inúmeras expedições teriam sido financiadas pela realeza em busca desse tesouro líquido.  

Até hoje, de certa forma, o mito contamina a ciência e as pesquisas com células-tronco, que prometem rejuvenescer tecidos em laboratório. Segundo Ryan K. Smith, professor de história da Virginia Commonwealth University, dos EUA, o conto é tão atraente que sobrevive de qualquer maneira. “ As pessoas estão mais intrigadas pela história de olhar e não encontrar [ a fonte] do que com a ideia de que a fonte realmente pode estar em algum lugar por aí”, comentou Smith.


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