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Dos bancos públicos ao próprio bolso: a controversa fortuna de Muammar Kadhafi

Quando morreu, o ditador líbio era dono de 200 bilhões de dólares e sustentava seu estilo de vida luxoso com o dinheiro de outras pessoas

Pamela Malva Publicado em 22/03/2020, às 10h00

Muammar Kadhafi, o ditador da Líbia entre 1969 e 2011
Muammar Kadhafi, o ditador da Líbia entre 1969 e 2011 - Wikimedia Commons

Natural da Líbia, Muammar Kadhafi foi o ditador de seu próprio povo entre 1969 e 2011, quando foi assassinado. Mesmo tendo conquistado o poder através de um golpe de estado não-violento, o mandante ficou conhecido por dizimar a população líbia.  

Durante todos os seus anos de governo, o ditador arrecadou uma enorme quantia de dinheiro, contabilizada pelo Los Angeles Times, em 2011. Segundo a publicação, Muammar "gastou mais de US$ 200 bilhões em contas bancárias, imóveis e investimentos corporativos em todo o mundo antes de ser morto".

Os números indicam que, caso o líbio ainda estivesse vivo nos dias de hoje, ele seria o homem mais rico do mundo. Ainda mais, Muammar seria o segundo homem mais rico da história — ficando atrás de John Davison Rockefeller, o dono de US$ 330 bilhões.

O problema, entretanto, é a origem de todo esse dinheiro. De acordo com artigo publicado pela Forbes em 2011, grande parte da fortuna usada por Kadhafi em despesas pessoais era mantida em contas do governo da Líbia.

Muammar Kadhafi em 1970 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Basicamente, a quantia estava guardada em entidades como o Banco Central da Líbia e a Autoridade de Investimento da Líbia. Sendo assim, o dinheiro usado por Kadhafi durante seus 42 anos de governo sempre foi de propriedade legal do Estado líbio, e não de uso pessoal do ditador.

Exatamente por isso, muitos economistas afirmam que Muammar Kadhafi nunca realmente foi um homem bilionário, já que o dinheiro nunca chegou a pertencer à ele ou aos membros de sua família. Ainda assim, ele gozava da fortuna.

Tamanho era o gasto que, conforme o ditador ia perdendo influência no mundo, partes dos 200 bilhões de dólares começaram a ser congeladas por diversos governos. A ideia era impedir que ele sacasse ainda mais notas.

Segundo David Cohen, o subsecretário interino de terrorismo e inteligência financeira dos Estados Unidos em 2011, bancos norte-americanos chegaram a congelar US$ 30 bilhões em ativos líbios por ordem do, então, presidente Barack Obama. Países da União Europeia fizeram o mesmo ao paralisar outros 30 bilhões de dólares no continente.

Por anos, a ostentação e suntuosidade de Muammar Kadhafi foram criticadas. Para muitos, o ditador apenas sustentou seu estilo de vida luxuoso através do abuso do poder, enquanto utilizava fundos para ganho pessoal e não para o benefício do país. 


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