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Drogas, suicídio e superação: a história por trás de Randy Constan, o Peter Pan da vida real

Inspirado no clássico personagem da Disney ele diz que “não deixar a criança interior morrer é a chave para construir um mundo melhor”

Fabio Previdelli Publicado em 10/03/2020, às 12h00

Randy Constan, o Peter Pan da vida real
Randy Constan, o Peter Pan da vida real - Divulgação

É inegável que a internet é um meio essencial para a disseminação de informações. Mas também, é fato que ela é a responsável pela criação de diversas personalidades que só ficaram conhecidas por causa da popularidade da ferramenta.

Um desses curiosos casos é o do americano Randy Constan, que ficou famoso por querer ser o próprio Peter Pan. O sucesso de Randy nas redes sociais foi tão grande que em 2001 ele ganhou um prêmio da Webby Award, o Oscar da Internet, na categoria “esquisito”.

A partir daí, ele apareceu em videoclipes e também foi entrevistado em diversos Talk Show. No entanto, o que poucos sabem é que a fixação de Constan pelo personagem que nunca quer ser adulto veio a partir de uma sucessão de eventos traumáticos em sua infância e adolescência.

Nascido em 18 de novembro de 1953, ele foi criado em Staten Island, em Nova York. Filho de Roy e Florence, ele vivia uma vida normal e alegre até sua juventude. Porém, aos 12 anos, veio seu primeiro baque: ele perdeu sua mãe. Ela se suicidou.

“Acordei no meio da noite e encontrei meu pai e minha mãe abraçados no chão”, relembra. “Meu pai não me disse que ela tinha se matado até eu completar meus 20 anos. Ele era sábio. Na época, ele me disse que ela teve um bloqueio intestinal, eu acabei comprando a ideia”.

Randy Constan, o Peter Pan da vida real / Credito: Divulgação

 

Mas a vida sem uma figura materna lhe deixou lacunas, que muitas vezes eram preenchidas com o consumo excessivo de drogas — que passaram a se tornarem frequentes a partir dos 17 anos. Três anos depois, ele chegou ao fundo do poço quando teve uma overdose de LSD, o que quase o levou a morte.

“Não me lembro do meu pai preocupado com as coisas típicas do pai, como meu consumo de bebidas ou o cheiro do meu hálito, e até mesmo minhas faltas na escola. Eu temia as palestras dele, mas não sua palma da mão”.

A partir desse momento veio a volta por cima. O desorientado Randy encontrou o suporte necessário no apoio de instituições religiosas e no seu amor pela música. Apaixonado pelo Peter Pan, ele passou a se inspirar no personagem clássico da Disney. Ele começou até a produzir roupas e músicas inspiradas nele.

“Infelizmente, essa sociedade quase deificou os limites de gênero que eles estabeleceram, especialmente as regras do que os meninos devem ou não gostar de fazer. É por isso que as meninas são elogiadas pelo interesse em atividades "infantis", enquanto os meninos que fazem o oposto raramente são tolerados. Portanto, esse personagem, por suas qualidades de fada e aparência elfa, representa um blasfema literal contra seu ‘Deus’ “, explica em seu site.

Seu sucesso na internet também serviu com um trampolim para a divulgação de suas músicas. Em 2006, ele gravou seu primeiro CD, que se chama Eu Não Quero Crescer, que reunia todas as músicas que ele havia composto. Com a venda de seu álbum digital, parte do dinheiro arrecadado é doado para instituições de caridade.

Neste mesmo ano, ele conheceu outra pessoa que tem sido essencial para sua jornada de ser uma eterna criança: Dorothy, sua esposa, a quem ele carinhosamente chama de Sininho. Pouco tempo depois, eles se casaram em uma Freira Renascentista. A festa teve como tema a monarquia do século 17.

Hoje, Randy se diz realizado e pretende continuar seus projetos para ajudar o maior número possível de crianças. Ele diz que a mensagem por trás de Peter Pan é essencial para a vida de qualquer pessoa: “Não deixar a criança interior morrer é a chave para construir um mundo melhor”.


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