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Animais gigantes e clima congelante: A dura vida dos neandertais

Separados em grupos, eles caminharam sobre o planeta durante 200 mil anos, lidando com doenças fatais e um ambiente feroz

Thiago Lotufo Publicado em 16/05/2021, às 09h00

Representação de um clã de neandertais
Representação de um clã de neandertais - Creative Commons/ Wikimedia Commons

No geral, diversas análises apontam que os neandertais levavam uma vida bastante dura, principalmente porque viviam em pequenos grupos (em geral, de 10 a 15 membros, mas podiam chegar a 50) e tinham de lidar com o frio constante (usando peles de animais para se proteger) e sair para caçar.

“Eu ainda não vi um esqueleto de adulto em que não houvesse uma evidência de fratura”, afirmou Erik Trinkaus, antropólogo da Universidade de Washington, EUA. A explicação para isso estaria no fato de eles terem de chegar muito perto de animais para poder caçá-los com a lança (não com armas de longa distância como o arco e flecha). Entre a caça estavam bichos como bisão, antílope, rinoceronte e até mamute.

E, ao contrário do que muitos podem pensar hoje em dia, o perigo era experimentado tanto pelos homens como pelas mulheres. Isso porque, na época, a divisão de trabalho não era bem estabelecida e muitas vezes ambos tinham de sair para caçar.

Ilustração de neandertais fazendo ferramentas / Crédito: Getty Images

 

Perigos constantes

Os neandertais, além da artrite, que causa muita dor, estavam sujeitos a doenças como a pneumonia e viviam no máximo até os 45 anos de idade — quatro em cada cinco indivíduos não chegavam a completar 40 anos. Assim como os idosos, as crianças também eram vulneráveis, pois metade delas morria antes de completar 11 anos.

A caverna era o núcleo da vida de um clã de neandertais. Ali, eles dormiam, comiam e defecavam. Faziam fogo para se aquecer e, talvez, para cozinhar alimentos. Abandonavam-na porque eram nômades e partiam para outras regiões para fugir do frio e buscar alimento. “Mas muitas vezes retornavam às mesmas cavernas em busca de segurança e conforto”, lembrou Walter Neves.

Em seus domínios, os neandertais também fabricavam armas e ferramentas. Um estudo publicado na revista americana Nature mostrou que, ao contrário do que se acreditava, eles conseguiam tocar o dedão e o dedo indicador (como no sinal de “ok” feito pelos americanos), o que lhes conferia uma destreza considerável.

“Eram muito habilidosos”, ressaltou Ian Tattersall, paleoantropólogo do Museu Americano de História Natural. “Mas inovaram pouco.” Acredita-se que eles confeccionaram mais de 20 tipos diferentes de ferramentas, incluindo pontas de lança, facas e utensílios para cortar carne e quebrar ossos.

As ferramentas eram feitas a partir de pedras como a pederneira (pedra-de-fogo) e o quartzo com uma técnica que consistia em arrancar “flocos” de uma pedra a partir de uma pedra-mãe que fazia o papel de um martelo preciso, capaz de produzir um utensílio afiado. “A fabricação de ferramentas e a transmissão desse conhecimento significam que eles tinham uma cultura”, afirmou o paleontólogo Rob Kruszynski.

Reconstrução de um neandertal no museu de Mettmann, na Alemanha / Crédito: Getty Images

 

'Primos' extintos

Se eles eram tão avançados e tinham traços tão humanos, por que desapareceram? Esta é uma resposta difícil. Uma parte dos pesquisadores diz que eles interagiram com o Homo sapiens e que, assim, seus genes foram diluídos numa população bem maior.

Outros acreditam que as instabilidades climáticas e o aumento na taxa de mortalidade (aliado à dominuição na taxa de natalidade) teriam causado a extinção. A tese mais aceita, porém, é a de que os "famosos e terríveis homens das cavernas" foram eliminados em conflitos diretos e competição por comida por um grupo capaz de estabelecer conexões sociais maiores: nós, os Homo sapiens.

Qualquer que seja a verdade, o fato é que os neandertais tiveram uma adaptação estável por 200 mil anos, o que é invejável. Nós, por exemplo, estamos por aqui há no máximo 150 mil. E tem quem ache que não vamos durar muito mais.


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