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Durante séculos, a calça comprida era exclusividade masculina

Peça, antes exclusividade masculina, foi assumida pelas mulheres na luta por igualdade

Redação Publicado em 05/09/2021, às 11h00

Ilustração de mulheres no século 18
Ilustração de mulheres no século 18 - Joeman Empire/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Roupas sempre foram símbolo de pertencimento de classe e status econômico. Até hoje, um olhar atento é capaz de adivinhar muito sobre uma pessoa de acordo com o modo como ela se veste. Mas o vestuário tem implicações mais profundas.

Mostra disso é o que foi praticado por muitos séculos pelo sexismo masculino, que sempre tentou controlar as mulheres, determinando, inclusive, a maneira como elas deveriam se vestir. E, nesse contexto, a calça comprida é o melhor símbolo da opressão machista sobre as mulheres. Sob essa tentativa de controlar como as mulheres se vestiam, o evidente desejo de esconder a sensualidade dos corpos femininos.

Para se ter uma ideia, em 1881, eram tantas as peças que compunham um único traje feminino, que na Inglaterra a Liga das Reformistas pela Roupa Racional estipulou que as roupas de baixo deveriam pesar no máximo 3 quilos. A despeito da pressão, a História sempre foi pontuada por mulheres dispostas a reclamar pela igualdade dos direitos.

Nessa luta, trocar saias, anáguas, combinações, espartilhos e anquinhas pelas calças compridas foi, sim, uma conquista que transitou muito além da estética, carregando-se de significados sociais e políticos. Em 1836, a escritora francesa Aurore Dupin foi a primeira a entrar nos salões da alta-sociedade de calças.

Nessa época, as mulheres deformavam o corpo usando espartilhos para acentuar a cintura. Já Aurore — que havia abandonado o marido, o barão Casemiro Dudevant — usava smoking como traje de festa. Para completar a atitude transgressora, surgia com um charuto na mão e o amante a tiracolo.

Quando Aurore descobriu a praticidade das calças masculinas, levou a brincadeira para o campo das letras, passando a assinar suas obras com o pseudônimo de George Sand. Suas heroínas sofriam, como a autora, em aventuras amorosas e questionavam o direito de ser mulher. Aurore namorou homens famosos, como o compositor Frédéric Chopin.

Em uma atitude também isolada e irreverente, em 1850, a advogada Amelia Bloomer achou que as calças combinavam mais com o mundo que se urbanizava velozmente e aderiu a uma espécie de pantalona curta. O traje foi tão explorado no figurino da advogada que ficou conhecido como calça Bloomer.

A popularização da calça feminina aconteceu depois da Segunda Guerra pelas mãos da estilista francesa Coco Chanel. Ela desenvolveu roupas para mulheres que precisavam sair às ruas para trabalhar, mas sem nunca perder a elegância.


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