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Por que se parou de usar chapéu?

Apesar de muitas tentativas de trazer de volta a moda, nunca mais será algo tão universal. Mas sabemos quem são os culpados.

Fábio Marton Publicado em 15/03/2018, às 06h58 - Atualizado em 16/03/2018, às 14h38

Multidão em Nova York na era do chapéu
Multidão em Nova York na era do chapéu - Domínio Público
Houve o dia em que um homem sair de casa sem chapéu era quase tão inconcebível quanto sair sem calças. Basta ver qualquer foto de multidões até a metade dos anos 50: é difícil identificar um rosto no mar de fedoras, panamás, trilbys, cocos. Na mesma situação, uma década depois, quase todas as cabeças ficaram descobertas. Que fim levou o chapéu?
James Bond de chapéu em Moscou Contra 007 (From Russia With Love) Reprodução
O acessório, universal por séculos, começou a ser destruído pelo automóvel: até os anos 40, os carros eram altos o bastante para o motorista empilhar o que quisesse na cabeça. Na década seguinte, os modelos ganharam aerodinâmica e, assim, ficaram baixos, não permitindo mais o luxo. Ao mesmo tempo, os conversíveis também entraram em moda. Isso tornou os cabelos masculinos (ou a falta deles) uma visão comum e socialmente aceitável. A tal ponto que, em seu discurso inaugural, em 20 de janeiro de 1961, John Kennedy tornou-se o primeiro presidente norte-americano a assumir o cargo com a cabeça descoberta. Com a maior autoridade do país o rejeitando, rapidamente o chapéu tornou-se opcional - e o mundo seguiu o exemplo.
 
O golpe final foi dado pelos hippies, que tornaram o cabelo comprido a maior expressão da rebeldia. Ninguém que se desse ao trabalho de deixar as madeixas crescerem por anos iria querer tapar o resultado. Os chapéus passaram a ser vistos como uma formalidade ultrapassada, coisa das gerações mais velhas. "Era o fim desse mundo arcaico, de se vestir como os pais", afirma a professora de estilismo Sueli Garcia, do Centro Universitário Belas Artes. Hoje eles ameaçam voltar, mas como uma expressão do gosto por coisas antigas - retrô, vintage.